Líder do PCC e mais 2 são presos por ordenar morte de ex-delegado-geral

A Polícia Civil de São Paulo prendeu ontem três suspeitos de serem mandantes do assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros no dia 15 de setembro de 2025, em Praia Grande, na Baixada Santista.

Entre os detidos está Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, o Azul ou Careca, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). Além dele, foram presos Marcio Serapião de Oliveira, o Velhote, integrante do PCC investigado por apoio estratégico e logístico, e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manezinho ou Manoelzinho, também da facção e suspeito de ter dado apoio logístico e operacional. Os três teriam articulado e ordenado o atentado. O Estadão não conseguiu localizar suas defesas.

Conforme o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, o assassinato do ex-delegado-geral foi planejado em um bar em Mongaguá, no litoral de São Paulo. As investigações apontam que Ferraz Fontes vinha sendo monitorado mais de perto por membros da organização criminosa três meses antes de ser executado.

“O doutor Ruy passou a ser monitorado mais de perto pelo menos a partir de junho”, afirmou a delegada Ivalda Aleixo, chefe do DHPP. Um dos três detidos foi encontrado justamente no estabelecimento usado para planejar o crime.

As investigações seguem para localizar outros dois suspeitos e para definir a motivação do assassinato. Por ora, a Polícia Civil acredita que a execução se deu por conta de investigações conduzidas pelo ex-delegado-geral ao longo das últimas duas décadas, o que o tornou um dos alvos da alta cúpula do PCC. Mas outras hipóteses ainda não são descartadas.

Segundo a delegada, um dos veículos usado na execução foi furtado no fim de março do ano passado – ainda não se sabe se para ser usado no dia do assassinato de Fontes. O outro foi justamente no meio do ano, quando o monitoramento teria se intensificado.

A polícia chegou aos suspeitos por meio de impressões digitais localizadas em veículos utilizados no crime, dados extraídos de aparelhos eletrônicos apreendidos, movimentações financeiras suspeitas e vínculos entre os investigados, utilização de imóveis para apoio logístico, além de denúncias anônimas.

Para especialistas em crime organizado, a execução de Ferraz Fontes e do delator Antonio Vinicius Gritzbach – baleado no aeroporto de Guarulhos em novembro de 2024 – mostra uma vontade da facção de demonstrar força com ações violentas nas ruas.

O CRIME

Ferraz Fontes foi morto a tiros de fuzil logo após deixar a prefeitura de Praia Grande, onde era secretário municipal de Administração. Na ocasião, o ex-delegado-geral foi seguido por bandidos em uma picape Hilux. Imagens de câmeras de segurança mostram que o ex-delegado estava em alta velocidade, provavelmente fugindo dos criminosos, quando entrou em um cruzamento e teve o carro atingido por um ônibus. O veículo capotou e ficou prensado. Três bandidos desceram da picape e atiraram contra o delegado, que reagiu. Ao menos 69 tiros foram disparados durante a emboscada. Só no carro da vítima foram encontradas 29 perfurações de bala.

VINGANÇA

Para o Ministério Público Estadual, o assassinato foi cometido a mando do alto escalão do PCC por vingança. Como delegado, Ferraz Fontes ficou conhecido por seu trabalho contra a facção. Em 2006, foi responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, incluindo o líder Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Em 2019, quando Marcola foi transferido a um presídio federal, Ferraz Fontes era o delegado-geral, cargo que ocupou até 2022. Na ocasião, Azul também era um dos presos transferidos de Presidente Venceslau para um presídio federal. Ele cumpriu pena em Mossoró (RN) e deixou a prisão no mês passado.

Em novembro, a Polícia Civil havia concluído a primeira fase das investigações do assassinato. O inquérito inicial indiciou 12 suspeitos e solicitou suas prisões preventivas por homicídio qualificado consumado e tentado, porte ou posse de arma de fogo de uso restrito e participação em organização criminosa. Dez indiciados estavam presos e dois permanecem foragidos. Uma decisão da Justiça ordenou a soltura de cinco dos dez detidos.

Os suspeitos que tiveram a prisão preventiva negada respondem em liberdade, mas com medidas cautelares impostas, como o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Em 16 de dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou a Lei Complementar Delegado Ruy Ferraz Fontes, que garante escolta para autoridades, ex-autoridades que tiveram atuação direta contra o crime organizado.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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