PGJ reconhece elementos e determina continuidade de investigação sobre “Milícia Digital” no caso Henry Borel
O Advogado Cristiano Medina da Rocha, representante de Leniel Borel, foi responsável pelas denúncias que apontam atuação coordenada para obstrução da Justiça
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Assessoria Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), reconheceu a existência de elementos relevantes que justificam o prosseguimento das investigações relacionadas a um suposto esquema organizado de atuação criminosa — denominado “Milícia Digital” — ligado ao caso Henry Borel.
A manifestação ocorre no âmbito da análise de revisão de decisão envolvendo notícia de fato apresentada por Leniel Borel, pai da vítima, e patrocinada pelo advogado criminalista Cristiano Medina da Rocha, responsável por formalizar as denúncias que detalham a atuação estruturada do grupo.
Estrutura organizada e atuação coordenada
De acordo com o parecer da PGJ, há indícios de um arranjo associativo estruturado, envolvendo familiares, assessores, advogados, influenciadores digitais e outros indivíduos ligados ao núcleo investigado, com atuação voltada a:
• Coagir e intimidar testemunhas
• Manipular ou destruir provas
• Divulgar informações sigilosas
• Promover campanhas difamatórias
• Perseguir e desacreditar Leniel Borel
Segundo o documento, essa atuação ocorreria de forma sistemática, tanto no ambiente digital quanto institucional, com potencial impacto direto na persecução penal dos fatos relacionados à morte de Henry Borel .
Conexão com investigações em andamento
O parecer ressalta que os fatos narrados não são isolados. Ao contrário, estão inseridos em um contexto mais amplo de investigações já em curso, incluindo:
• Inquéritos policiais ativos, especialmente na 42ª Delegacia de Polícia, sob o nº 042-01381/2025
• Procedimentos também na 14ª DP
• Ações penais públicas envolvendo crimes como:
• Falsidade ideológica
• Fraude processual
• Coação no curso do processo
Esses crimes já são apurados no mesmo processo que investiga o homicídio e tortura de Henry Borel .
Além disso, o próprio Leniel Borel já ajuizou sete ações penais privadas contra indivíduos apontados como responsáveis por ataques à sua honra, reforçando a multiplicidade de frentes em que os fatos vêm sendo apurados.
Reconhecimento da necessidade de aprofundamento investigativo
Um dos pontos centrais do parecer é o reconhecimento de que os elementos apresentados não devem ser descartados, mas sim integrados às investigações já existentes, especialmente àquelas conduzidas pela 42ª DP.
A PGJ destaca que:
• Há coincidência entre os fatos narrados e aqueles já investigados pela polícia
• Informações e provas apresentadas devem ser incorporadas ao inquérito em andamento
• A apuração deve ocorrer de forma unificada e aprofundada, evitando fragmentação investigativa
O entendimento reforça que a medida adequada é a continuidade das investigações com análise conjunta de todos os elementos, permitindo uma visão completa da possível atuação criminosa organizada .
Atuação decisiva da defesa da vítima
A iniciativa de levar os fatos ao conhecimento das autoridades partiu de Leniel Borel, por meio do advogado Cristiano Medina da Rocha, que estruturou juridicamente as denúncias apontando a existência de um sistema coordenado de ataques e interferências no curso da Justiça.
A atuação da defesa foi determinante para reunir elementos que, agora, passam a integrar formalmente o escopo investigativo das autoridades.
Possíveis desdobramentos
Com a consolidação das informações no inquérito em curso, a expectativa é de que:
• Novas diligências sejam realizadas
• A atuação do grupo seja aprofundadamente analisada
• Eventuais responsabilidades criminais sejam apuradas de forma mais abrangente
O reconhecimento, pela instância superior do Ministério Público, da necessidade de continuidade investigativa representa um avanço significativo na apuração de possíveis práticas criminosas paralelas relacionadas ao caso Henry Borel.



