Tenente-coronel suspeito de matar esposa PM admite relações sexuais na mesma noite

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, admitiu que o casal manteve relações sexuais horas antes da morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32. A relação teria ocorrido no sofá da casa, durante a noite. Anteriormente, o tenente-coronel havia afirmado que o relacionamento estava em crise e não havia intimidade entre os dois desde agosto do ano passado.

Rosa Neto está preso preventivamente, acusado de feminicídio. Ele nega ter matado a mulher. A reportagem apurou que os detalhes do encontro estão em depoimento prestado pelo militar após sua prisão, no último dia 18.

Segundo a narrativa do policial, o casal estava em processo de separação e teria decidido ter relações “pela última vez”. Depois do ato, de acordo com ele, cada um foi dormir em seu quarto – o casal vinha dormindo em quartos separados havia cerca de oito meses, depois que ela suspeitou de traição por parte dele, segundo a investigação.

Em um dos relatos, ele disse ter ocorrido uma discussão entre eles, motivada por ciúmes e desentendimentos, inclusive por questões financeiras.

De acordo com o advogado, seu cliente explicou à polícia que ele e a esposa estavam dormindo em quartos separados, mas naquela noite decidiram ter um momento de intimidade.

“É uma cronologia fática que não representa nenhuma contradição em seus depoimentos”, afirmou. “Foi só um esclarecimento a mais, um complemento do que ele já havia dito.”

Consta no depoimento de Geraldo que, na manhã do suposto crime, o oficial acordou por volta das 7 horas e decidiu formalizar a separação, momento em que Gisele teria se exaltado e o empurrado para fora do quarto. Ele afirma que decidiu tomar banho e, logo depois, ouviu o barulho do tiro e diz ter encontrado a esposa caída na sala, com uma arma na mão.

De acordo com relatório final da investigação do caso, feito pela Polícia Civil e obtido pelo Estadão, a perícia encontrou evidências por meio do sangue de Gisele de que o tenente-coronel não apenas alterou a cena do crime, como também mexeu no corpo da vítima antes de acionar o resgate.

“Trata-se de prova que confirma, simultaneamente, a autoria do feminicídio e a prática da fraude processual”, afirma a Polícia Civil.

Quando as investigações apontaram um possível crime de feminicídio, a Justiça autorizou a exumação do corpo da soldado. Os exames indicaram a presença de espermatozóides no canal vaginal, indicando relação sexual recente.

Como noticiou o Estadão com base em postagens juntadas ao processo, o tenente-coronel exigia submissão da esposa, argumentando que era o “provedor” da casa financeiramente.

“Eu pago tudo sozinho (…) e você investe quanto? Amor, carinho, atenção, dedicação, sexo (…) nem isso você faz.” “Marido Provedor, esposa carinhosa e submissa. Não tem atrito.” “Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa.”

A policial Gisele foi encontrada caída, gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Socorrida pelo Corpo de Bombeiros, ela foi levada de helicóptero ao Hospital da Clínicas, mas não resistiu. O atestado de óbito registrou como causa da morte traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

O caso, inicialmente apurado como suicídio, conforme a alegação do tenente-coronel, logo passou a ser tratado como possível feminicídio, com base nas investigações. A Justiça tornou o oficial réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual, por ter alterado a cena do crime, e autorizou sua prisão.

Nesta quinta-feira, 20, o Superior Tribunal de Justiça negou um pedido da defesa de relaxamento da prisão, mantendo o oficial preso preventivamente. A defesa analisa a decisão para entrar com recurso.

Avatar photo

Por Redação Folha de Guarulhos.

Deixe um comentário