Síndico de prédio onde corretora desapareceu em Caldas Novas nega envolvimento no caso

A defesa de Cléber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, em Caldas Novas (GO), divulgou uma nota sobre o desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, ocorrido em dezembro do ano passado. Segundo o texto, Cléber não é investigado no inquérito policial que apura o sumiço da moradora. Daiane foi vista pela última vez indo ao subsolo do edifício.

Na nota assinada pelos advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima, a defesa sustenta que Cléber tem fornecido “todas as informações e acessos necessários” às investigações e que a elucidação dos fatos é de interesse coletivo. O texto afirma ainda que eventuais conflitos com Daiane sempre foram tratados “dentro da estrita legalidade”, por meio do Poder Judiciário.

Os advogados citaram que, em 19 de janeiro de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Daiane pelo crime de violação de domicílio, episódio no qual Cléber figura como vítima, segundo a defesa. Para os advogados, o fato demonstraria que o síndico sempre buscou o amparo das autoridades para a resolução dos conflitos, afastando qualquer motivação pessoal.

MPGO denunciou Cléber por perseguição

A manifestação ocorre em meio ao avanço de ações judiciais envolvendo as partes. Em janeiro deste ano, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou Cléber pelo crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal. Segundo a acusação, os episódios teriam ocorrido entre fevereiro e outubro de 2025, quando o síndico teria adotado contra Daiane condutas reiteradas que ameaçaram a “integridade física e psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção e perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”.

De acordo com a denúncia, o conflito teria se iniciado após um desentendimento relacionado à locação de um apartamento para número de hóspedes superior ao permitido.

O MP aponta que Cléber teria passado a dificultar solicitações feitas por Daiane ao condomínio, exigindo formalidades adicionais, além de monitorar a movimentação da corretora e de seus hóspedes por meio do sistema de câmeras de segurança. A acusação também menciona indícios de sabotagem no fornecimento de serviços como água, energia elétrica, gás e internet em imóveis administrados por ela.

“Discussões entre Cleber e a vítima também eram frequentes, seja por aplicativos de mensageria instantânea ou presencial. Inclusive, em uma dessas ocasiões, em fevereiro de 2025, o denunciado agrediu a vítima com uma cotovelada”, acrescenta a denúncia.

O Ministério Público pediu, além da condenação criminal, a fixação de indenização por danos morais à vítima, no valor mínimo de dois salários mínimos.

Na nota divulgada pela defesa do síndico, os advogados contestam a denúncia e afirmam que todas as condutas atribuídas a Cléber ocorreram no “estrito cumprimento de seus deveres legais e estatutários como síndico, com o objetivo exclusivo de manter a ordem condominial”.

Também em nota, a defesa de Daiane rebateu a acusação de violação de domicílio e afirmou que a corretora agiu em legítima defesa. Segundo o advogado Plínio César Cunha Mendonça, a denúncia apresentada pelo síndico seria “infundada e omite a realidade dos fatos”. A defesa sustenta que Daiane teria reagido a uma situação de risco após presenciar o síndico confinando seu padrasto, um idoso de 79 anos, no interior da recepção do condomínio.

“Diante do histórico de agressividade do síndico e do fundado receio de uma agressão física contra o idoso, Daiane adentrou ao local exclusivamente para garantir a segurança e a integridade física de seu familiar”, afirma. Segundo a defesa, imagens do circuito interno de segurança comprovariam essa versão.

Câmeras de segurança gravaram momentos antes do desaparecimento

Daiane Alves Souza, de 43 anos, desapareceu no dia 17 de dezembro. Imagens de câmeras de segurança registraram a corretora descendo ao subsolo do prédio para verificar uma suposta falta de energia em seu apartamento. Desde então, ela não foi mais vista.

Ela chegou a gravar o trajeto com o celular. As imagens mostram que apenas o apartamento da corretora aparentava estar sem luz – o elevador, corredores e áreas comuns do prédio permaneciam iluminados. A situação levantou a suspeita da família de que a energia poderia ter sido desligada propositalmente.

A Polícia Civil de Goiás informou que o desaparecimento é investigado pelo Grupo Especial de Investigação de Homicídios e que uma força-tarefa foi montada para o caso. Segundo a corporação, novas informações não serão divulgadas por enquanto, para preservar o sigilo das investigações e evitar prejuízos à apuração.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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