Ressaca em Copacabana: uma pessoa está desaparecida no mar e mais de 100 já foram resgatadas

Uma pessoa está desaparecida e mais de cem já foram resgatadas ao longo desta quarta-feira, 31, do mar na praia de Copacabana, palco da grande festa de réveillon do Rio de Janeiro. No início da tarde, a Secretaria de Estado de Defesa Civil emitiu um alerta de ressaca para todo o litoral fluminense. O aviso foi transmitido pelo Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) diretamente para todos os celulares. A orientação é que ninguém entre no mar.

No fim da manhã, bombeiros faziam buscas por uma pessoa que desapareceu no mar, na altura do Posto 2. De acordo com a TV Globo, trata-se de um adolescente de 14 anos de idade, de Campinas (SP), que passava o fim do ano na cidade. Durante as buscas, os bombeiros resgataram muitas outras pessoas que foram arrastadas pelo mar: até as 15h50, foram mais de cem resgates só em Copacabana.

À tarde, um homem que se afogava em Ipanema foi resgatado com o apoio de um helicóptero e levado para o Hospital Miguel Couto em estado grave. As ondas chegaram a se aproximar de um dos palcos montados para os shows do réveillon de Copacabana. A Marinha também emitiu um alerta de ressaca para a região, com previsão de ondas de até 2,5 metros até a manhã desta quinta-feira, 1º.

As praias da capital estão lotadas desde o início da manhã em razão das celebrações de réveillon. Segundo os bombeiros, quem for passar o fim de ano no Rio deve tomar cuidado com o mar. O tenente-coronel Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros do Rio (CBMERJ), contou que alertas serão feitos por drones da corporação para orientar as pessoas, principalmente quem estiver em Copacabana.

“O mar não vai estar indicado para mergulho. Temos ondas de até 2,5 metros, um mar com muita energia, um mar também com muitas valas e correntes de retorno”, alertou Contreiras. “As pessoas vão querer, obviamente, se banhar, vai estar calor, mas a corporação não negocia a segurança: não mergulhem no mar. Estaremos com drones enviando muitos avisos sonoros para que as pessoas não insistam nessa prática. Realmente o mar vai subir, como a gente diz, o risco é real.”

Doutor em gerenciamento de riscos e segurança do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da COPPE/UFRJ, Gerardo Portela disse que nos últimos dias ajudou, pessoalmente, a resgatar algumas pessoas do mar e alertou para o risco de tempestade de raios durante a festa de réveillon.

“Sou carioca, pratico surfe, estou sempre na orla, posso dizer que as condições do mar estão totalmente desfavoráveis”, afirmou Portela, no fim da tarde desta quarta-feira, 31. “Nos dias que antecederam a atual ressaca, eu tirei várias pessoas do mar com a minha prancha porque a correnteza, em determinados locais, às vezes surpreende e traga a pessoa para dentro da água mesmo em lugares onde dá pé.”

Portela lembrou também que há previsão de tempestade para a noite do réveillon e é preciso estar atento à queda de raios.

“Em um local aberto como a praia, basta cair um raio para centenas de pessoas serem impactadas”, explicou o especialista. “Tem pára-raios nos prédios da orla? Tem, mas eles são projetados para cobrir os prédios, não a praia. As pessoas que estão na areia estarão vulneráveis. Durante uma tempestade de raios, a praia é o local de maior probabilidade de uma pessoa ser atingida.”

Segundo Portela, existem sistemas de proteção contra descargas atmosféricas para áreas abertas, como as das praias, mas são muito caros.

“Se as autoridades acham que a orla é um local apropriado para celebrações é preciso ter um protocolo de emergência para as pessoas serem direcionadas a um local seguro”, afirmou Portela. “Uma solução paliativa seria deslocar as pessoas para as ruas estreitas do bairro com prédios altos, onde haverá uma probabilidade maior de proteção pelos para-raios dos edifícios.”

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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