O presidente do Banco da Estônia, Madis Muller, afirmou que o cenário traçado pelo Banco Central Europeu (BCE) em dezembro segue servindo como uma base sólida para a condução da política monetária. Segundo ele, a economia da área do euro apresenta, no curto prazo, um quadro de relativo equilíbrio, com inflação próxima da meta, crescimento moderado e mercado de trabalho resiliente.
Em texto publicado nesta sexta-feira, 6, Muller, que é membro do conselho geral do Banco Central Europeu (BCE), disse que “a projeção de dezembro do BCE continua sendo uma boa base para a tomada de decisões sobre juros”, observando que os dados mais recentes não trouxeram surpresas relevantes capazes de alterar esse diagnóstico. Para ele, as estatísticas recentes reforçam a avaliação de que a inflação tende a se estabilizar “próxima de 2% no futuro previsível”.
O dirigente avaliou ainda que, no horizonte imediato, a economia da área do euro parece ter alcançado um certo equilíbrio, com avanço moderado da atividade e condições financeiras compatíveis com esse cenário. Muller destacou que o crescimento superou as expectativas no fim do ano passado e que pesquisas indicam uma visão mais otimista das empresas em relação às perspectivas de curto prazo.
Apesar disso, ele alertou que uma visão mais longa exige cautela. Muller observou que o crescimento potencial da área do euro vem diminuindo e deve se aproximar de 1% nos próximos anos, o que tende a impor escolhas difíceis, sobretudo para países com déficits fiscais elevados. Segundo ele, altos níveis de endividamento e déficits persistentes reduzem o espaço de manobra da política econômica, especialmente em um contexto de envelhecimento da população e maiores gastos públicos estruturais.



