Um policial militar agrediu ao menos dois estudantes dentro de uma escola estadual no Largo do Machado, na zona sul do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira, 25.
O caso foi registrado em vídeo por alunos durante um protesto de movimentos estudantis na Escola Estadual Senor Abravanel. Nas imagens, é possível ver o policial, um subtenente do Batalhão de Choque, discutindo com os estudantes e, em seguida, desferindo tapas e socos contra dois jovens.
Segundo a PM, o militar já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). “O policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas. A Polícia Militar reitera seu compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de sempre apurar com a atenção e transparência necessárias a conduta de seus policiais em serviço”, diz.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio diz que o “comando da Corporação, diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens captadas na referida unidade de ensino, determinou que a Corregedoria Geral instaure um procedimento para apurar a conduta do agente de maneira imediata”.
Em um vídeo gravado ao lado do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ), uma das vítimas do policial, Marissol Lopes, de 20 anos, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames Rio), contou que a entidade estudantil foi até o colégio colher assinaturas em um abaixo-assinado contra um professor que estaria assediando alunos.
“Nós chegamos na escola para passar um abaixo assinado sobre um caso de assédio que tem circulado no colégio. Nós fomos solicitados pelos estudantes da escola a ir lá apoiar essa luta e a direção da escola, que nunca propôs nenhuma ação pedagógica, chamou a polícia. Apesar de pedir calma e apresentar a listagem da Seeduc (Secretaria de Educação), que nos autoriza a entrar na escola, não houve diálogo nenhum e a polícia agiu com uma truculência inaceitável”, diz Marissol.
Marissol aparece nas imagens do momento da agressão conversando com o PM e pede para o militar não encostar nela. Neste momento, o policial parte para cima da estudante e desfere dois tapas no rosto dela. Outro estudante tenta intervir, é atingido com um soco no rosto e cai.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc-RJ) “lamenta o ocorrido e reforça que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública”.
“A Seeduc prestará todo apoio aos estudantes envolvidos e seus familiares. A direção da unidade acionou a Polícia Militar durante um protesto de alunos de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo. A Secretaria destaca que toda atuação em espaço escolar deve respeitar rigorosamente os protocolos, os estudantes e o uso adequado dos procedimentos”, diz.


