O porcentual de negociações salariais que levaram a reajustes superiores à inflação atingiu 77% em 2025, uma queda em relação a 2024, quando chegaram a 84%, segundo dados preliminares do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O índice de preços considerado no cálculo é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que fechou o ano passado com alta de 3,90%.
O porcentual de negociações que repuseram a inflação no ano passado foi de 14,1%, acima dos 13,1% registrados em 2024, enquanto as negociações que levaram a reajustes abaixo da inflação subiram de 3,7% para 8,2%, na mesma base de comparação.
A análise do Dieese considerou 21.510 reajustes salariais. O número corresponde a 80% do total de resultados esperados para 2025, baseado na média de registros dos últimos anos. Em especial, são aguardados no Sistema mais lançamentos de negociações de datas-bases do último trimestre de 2025.
Os dados mostram também que, em média, os salários foram reajustados em 0,87% além da inflação em 2025. Em anos anteriores, esta variação havia sido maior – 1,25% em 2024 e 1,70% em 2023.
“Parte do comportamento dos reajustes é explicada pelas taxas de inflação. No período pós-2022, o ano de 2025 foi o que registrou as maiores taxas de inflação por data-base, disse o Dieese em relatório.
Os resultados preliminares de 2025 indicam que os trabalhadores da indústria e do comércio foram os que obtiveram maiores êxitos nas negociações em 2025, com ganhos reais em praticamente 80% dos casos, seguidos de perto pelas categorias do setor dos serviços. “No setor rural, reajustes acima da inflação foram menos frequentes (69,4%) que nos demais setores; e perdas reais foram observadas em quase 20% das negociações”, acrescentou o Dieese.
O piso salarial médio das negociações de 2025 foi de R$ 1.863. O mediano, de R$ 1.739. Por setor, o maior valor médio dos pisos foi observado no segmento de serviços (R$ 1.908); e o maior valor mediano na indústria (R$ 1.789).


