Namorado de ‘delegada do PCC’ treinava adolescentes para cometer homicídios em RR, diz denúncia

Jardel Neto Pereira da Cruz, 28 anos, apontado como namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo na última sexta-feira, 18, seria chefe do PCC em Roraima, segundo denúncia de 2021 do Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR). O documento também aponta que ele treinava adolescentes para cometer crimes, incluindo tortura. O Estadão busca contato com a defesa de Jadel Cruz. O espaço está aberto.

“Dedel”, “Vrau Nelas” ou “Americano”, como Jardel também é conhecido, teria como uma das principais atuações colocar menores de idade para punir outros membros da facção. Como exemplo, o líder regional mostraria como se bate na mão com um pedaço de pau, ainda de acordo com o documento.

A denúncia afirma que a posição dele era de “Geral da Disciplina”, tendo a ordem final caso algum membro precisasse ser executado. Outro posto de “Dedel” seria o de “Geral do Estado”, liderança de Roraima, “atuando ativamente no comércio de entorpecentes na cidade de Boa Vista”, diz a denúncia. Isso incluiria a realização de atentados contra autoridades do Poder Judiciário, sistema penal e integrantes de forças de segurança.

“Execuções, atentados, quebras de decoro dentro da organização, tudo é passado pela disciplina onde é dada a sentença no caso”, afirmou um profissional da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) ao MPRR na denúncia. O nome dele foi preservado.

Em 2021, Jardel estava em Boa Vista, em um lugar conhecido como “baixada caranã”, quando uma equipe do FICCO passou a monitorá-lo – até o momento em que o grupo fez a abordagem e revista depois que “Dedel” fugiu para a própria residência, explicaram os agentes.

A informação da Polícia Judiciária nº 127/2021 revelou a participação de Jardel no PCC. A conclusão foi feita junta da corroboração de imagens existentes nas redes sociais, nas quais ele apresenta a simbologia da facção.

Conforme sentença da Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas (PROJUDI) da comarca de Boa Vista, Roraima, Jardel teria confessado a autoria do crime de integrar organização criminosa em depoimento prestado na delegacia: “declara ser companheiro da organização criminosa – PCC; que apoia a liderança regionais do PCC”, consta.

O FICCO também apurou a existência de conversas apagadas com integrantes do PCC. “Os vulgos dos criminosos são de conhecimento deste Núcleo de Análise/DELEPAT, de acordo com as informações levantadas são integrantes ativos do PCC em Roraima”, afirma a denúncia.

A investigação iniciada pela PF resultou na condenação de Jardel a oito anos de prisão por organização criminosa e tráfico de drogas. Ao entrar na residência do acusado, policiais encontraram 25g de maconha (naquele ano, podia ser considerado crime). Ao longo do processo, o MPRR reforçou as acusações.

Delegada

Conforme apurado pelo Blog do Fausto Macedo, Layla Lima Ayub, apontada como namorada de Jardel, foi presa na última sexta-feira, 18, no âmbito da Operação Serpens, deflagrada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com o Gaeco do Pará.

A investigação apura a atuação da delegada, recém-empossada, em favor da facção, incluindo possíveis vínculos pessoais e profissionais com integrantes do PCC. Durante a abordagem, os investigadores apreenderam dois celulares e, logo após a prisão, Layla entregou voluntariamente um terceiro chip.

Layla Lima Ayub será indiciada por quatro crimes: exercício irregular da profissão, integrar organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico. Layla foi detida na zona Oeste da capital paulista.

Na cerimônia de posse como delegada no Palácio dos Bandeirantes, em 19 de dezembro, que contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Layla foi acompanhada por Jardel.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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