Ibovespa sobe 1,40% e vai pela primeira vez aos 191 mil pontos

O Ibovespa retomou a escalada a patamares inéditos, pela primeira vez aos 191 mil pontos tanto no intradia (191.780,77) como em fechamento, aos 191.490,40 pontos, em alta de 1,40% na sessão, no que foi o 13º recorde de encerramento para o índice da B3 desde 14 de janeiro, correspondendo a 2026. Nesta terça-feira, 24, saiu de abertura aos 188.854,45 pontos, em nível equivalente à mínima do dia. O giro ficou em R$ 33,0 bilhões nesta terça-feira. Na semana, em duas sessões, agrega agora 0,50%, colocando o ganho do mês a 5,58%. No ano, sobe 18,85%.

As ações de bancos tiveram recuperação em bloco após a correção do dia anterior, com destaque para Santander, que avançou 3,41%, na máxima do dia no fechamento, após tombo de 5% na segunda, quando tinha encerrado na mínima da sessão. Banco do Brasil ON subiu 1,76% e o principal papel do segmento, Itaú PN, avançou 1,52%. Apesar do desempenho negativo do Brent e do WTI, Petrobras teve alta de 2,28% na ON e de 2,54% na PN, enquanto Vale ON mostrou ganho de 0,39%. Na ponta ganhadora do Ibovespa, IRB (+7,26%), Vamos (+6,40%) e Natura (+6,40% também). No lado oposto, Minerva (-4,43%), Copasa (-2,84%) e Metalúrgica Gerdau (-2,46%).

“Ontem [segunda-feira, 23], o setor financeiro tinha sofrido muito na realização de lucros do Ibovespa, que acompanhou então a cautela externa. O petróleo tem se mostrado mais volátil, ao sabor das tensões entre Estados Unidos e Irã, o que afeta Petrobras. Mas, nesse contexto todo, o fluxo continua bastante forte para a B3, com o dólar ainda se depreciando, o que contribui para que a Bolsa brasileira seja ainda destaque”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

“A realização de ontem [segunda-feira, 23] veio sem muito gatilho para além da cautela externa que predominou na sessão. E o setor financeiro foi o mais atingido porque foi o primeiro segmento da Bolsa a ter andado mais forte, o que explica essa realização maior no segmento, em um dia sem tanto driver doméstico, na segunda-feira”, diz Rubens Cittadin, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Para Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, a recuperação do setor financeiro também veio após uma realização mais forte no setor, em reflexo da preocupação global em torno de retomada da guerra comercial movida a parir da Casa Branca, nos Estados Unidos, após a derrota da sexta-feira passada na Suprema Corte sobre o tarifaço baixado pelo governo Trump ainda em abril de 2025. “Além da situação entre Estados Unidos e Irã, o mercado ainda tenta entender, também, como ficará o desenrolar do que o governo Trump fará em torno das tarifas”, acrescenta.

Josias Bento, sócio da GT Capital, observa que, mesmo na contramão dos preços da commodity na sessão, as ações de Petrobras continuam a subir “pela força compradora do mercado, com o estrangeiro ainda aportando nos papéis” da estatal. Ele acrescenta que as bolsas americanas também respiraram, no campo positivo na sessão, após segunda-feira “um pouco amarga” em meio às incertezas sobre os desdobramentos em torno da guerra comercial movida a partir dos EUA. No fechamento desta terça-feira em Nova York, Dow Jones +0,76%, S&P 500 +0,77% e Nasdaq +1,04%.

“Hoje [terça-feira, 24], o mercado iniciou novamente em tom de cautela. O dólar abriu em alta, próximo de R$ 5,18, acompanhando o fortalecimento da moeda americana frente a outras divisas no exterior. Os juros também começaram o dia pressionados, ainda sob o efeito das preocupações com o cenário comercial”, aponta Marcos Vinícius Oliveira, economista e analista sênior da ZIIN Investimentos. No fechamento desta terça, o dólar à vista marcava R$ 5,1554, em baixa de 0,26%.

“Ao longo da manhã, houve uma mudança relevante no cenário”, acrescenta Oliveira. “As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos entraram em vigor com alíquota de 10%, abaixo da expectativa de 15% que vinha sendo precificada por parte do mercado. A leitura foi de que a medida, embora restritiva, foi menos agressiva do que se temia.”

Dólar

O dólar emendou o quarto pregão consecutivo de queda nesta terça-feira, 24, e flertou com o fechamento abaixo da linha de R$ 5,15, algo não visto desde 21 de maio de 2024. A apreciação do real veio em meio a uma nova onda de valorização de divisas emergentes e o provável fluxo de capital estrangeiro para a bolsa doméstica, em dia de alta superior a 1% do Ibovespa, que superou os 191 mil pontos pela primeira vez.

Pela manhã, a divisa até abriu em alta e tocou máxima a R$ 5,1845, em aparente ajuste e realização de lucros, diante do avanço da moeda americana em relação ao euro e ao iene. A maré virou ainda no começo da tarde com a melhora do apetite ao risco no exterior. Ruídos políticos e fiscais domésticos, como as negociações em torno do fim da escala 6×1 e a volta do debate sobre a gratuidade no transporte público, ficaram em segundo plano.

Com mínima de R$ 5,1429, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,26%, a R$ 5,1554, passando a acumular desvalorização de 1,63% nas últimas quatro sessões. Em fevereiro, as perdas são de 1,76%, após queda de 4,40% em janeiro. No ano, a moeda americana recua 6,08% em relação ao real, que tem o melhor desempenho entre as divisas latino-americanas no período.

O economista-chefe da corretora Monte Bravo, Luciano Costa, atribui a apreciação do real à continuidade do fluxo global de recursos para mercados emergentes, em meio a um movimento de rotação de carteiras marcado pela diminuição relativa da exposição de investidores a ativos denominados em dólar.

Costa cita os números de entrada de capital externo no país no início do ano, revelados hoje na divulgação do resultado das transações correntes em janeiro pelo Banco Central. No período, houve entrada líquida de US$ 3,752 bilhões para ações e de US$ 6,939 bilhões para títulos da dívida. O ingresso líquido em investimento em carteira, que inclui também fundos de investimento, foi de US$ 8,867 bilhões, o maior para qualquer mês desde julho de 2018.

“Tudo indica que esse movimento de entrada de estrangeiro continua forte em fevereiro. Temos a perspectiva de um ciclo de corte de juros que favorece a bolsa. Ao mesmo tempo, o diferencial entre juros interno e externo vai continuar elevado, o que é bom para o carry trade”, afirma Costa.

O economista da Monte Bravo ressalta que as taxas dos Treasuries estão em queda diante da percepção de menor pressão inflacionária, com uma tarifa comercial americana efetiva menor do que a estimada anteriormente em razão da derrubada do tarifaço de Trump pela Suprema Corte.

“O efeito das tarifas nos preços vai se diluir nos próximos meses, com a inflação acumulada nos EUA em 12 meses voltando gradualmente para 2% ou 2,20% no fim do ano. Há expectativa de que o Federal Reserve possa retomar o corte de juros no fim do segundo trimestre ou no início do terceiro”, diz Costa.

Pela manhã, a Casa Branca confirmou a imposição de uma tarifa global de 10% sobre importações a partir desta terça e com validade de 150 dias, abaixo dos 15% indicados por Donald Trump no fim de semana. Segundo o governo americano, a taxação busca enfrentar “problemas fundamentais no balanço de pagamentos”, depois de a Suprema Corte decidir pela ilegalidade das chamadas tarifas recíprocas de Trump anunciadas em 2 de abril do ano passado.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY operou em leve alta ao longo do dia e avançava cerca de 0,15%, ao redor dos 97,800 pontos no fim da tarde, após máxima aos 97,986 pontos. Destaque para o tombo de mais de 0,70% do iene após relatos de que a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, manifestou reservas sobre novos aumentos da taxa de juros durante reunião na semana passada com o presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda.

Para o economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, o rali recente do real parece mais “cíclico do que estrutural” e pode ser revertido em caso de aumento das taxas dos Treasuries ou de renovadas preocupações fiscais domésticas, em meio a aumento dos ruídos políticos. “Enquanto a moeda americana permanecer fraca e o capital global continuar se movendo em direção aos mercados emergentes de taxas de juros elevadas, o real pode se manter firme”, diz Abadia.

Juros

O bom resultado do leilão de títulos atrelados ao IPCA realizado nesta terça-feira, 24, pelo Tesouro Nacional conferiu alívio aos trechos mais distantes da curva de juros futuros, que perdeu inclinação no pregão. Além de fatores técnicos, participantes do mercado mencionam o cenário político como outra influência de baixa sobre os juros longos. Isso porque há percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá resultados mais favoráveis em pesquisas eleitorais a serem divulgadas ao longo da semana, após eventos que devem ter desgastado a imagem do presidente Lula no Carnaval deste ano.

Também deu suporte ao comportamento benigno dos DIs, ainda que a Bolsa tenha reagido com maior vigor, o otimismo vindo do exterior que beneficiou ativos de países emergentes. O bom humor, que tem como pano de fundo a tendência de rebalanceamento de carteiras, foi desencadeado também pela volta atrás do presidente Donald Trump em relação à tarifa global a ser aplicada pelos Estados Unidos. O porcentual será de 10%, abaixo dos 15% anunciados anteriormente.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,234% no ajuste de segunda para 13,235%. O DI para janeiro de 2029 cedeu de 12,595% no ajuste anterior a 12,565%. O DI para janeiro de 2031 recuou a 12,99%, vindo de 13,043% no ajuste antecedente. Este foi o menor fechamento do vértice desde 04 de dezembro, dia anterior ao anúncio da pré-candidatura à presidência de Flávio, que provocou forte estresse no mercado.

O Tesouro vendeu integralmente nesta terça o lote ofertado de 1,5 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), sendo que, destas, 500 mil vencem em agosto de 2050. Nos cálculos da Warren Investimentos, o volume financeiro, de R$ 6,42 bilhões, foi 32% maior do que o certame anterior, enquanto o risco adicionado ao mercado, medido pela métrica de DV01, ficou em US$ 792,7 mil, 35% acima do leilão da semana passada.

Estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital destaca que as taxas das NTN-B saíram fechadas, ou seja, abaixo do que agentes esperavam. “Mas o tamanho do leilão foi normal. Exatamente igual a nossa expectativa aqui”, destacou.

Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, observa que as taxas das vendas tiveram viés fechado em diversos vértices, o que é um indicativo de demanda forte por esses papéis. “O mercado está com apetite para prefixados e duration em juros reais e nominais”, disse. “Houve uma colocação forte e mesmo assim o mercado está absorvendo. O leilão foi bem positivo”, completou o gestor, ponderando que a devolução nos prêmios de risco dos DIs longos nesta terça, de 5 a 6 pontos-base, não representa uma movimentação tão relevante.

Outro tema que movimentou as mesas de renda fixa e que também pode ter contribuído para a desinclinação da curva foi a expectativa em torno de enquetes eleitorais. Embora dados não tenham vazado, operadores avaliam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter ganhado vantagem em relação aos últimos levantamentos, após o mal-estar gerado pela homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula no Carnaval.

Na quarta será divulgada nova edição da AtlasIntel e, na sexta-feira, está prevista a publicação de levantamento do instituto Paraná Pesquisas. “Não vi vazamento, mas há um sentimento sobre a AtlasIntel, à qual o mercado dá mais importância que o usual. Se vier melhor para Flávio, o mercado vai se empolgar”, afirmou Lima.

Em condição de anonimato, um estrategista de uma plataforma de investimentos disse à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que não foram ventilados os números da AtlasIntel, mas sim que o senador estaria com maior intenção de votos frente à edição anterior. “Lembrando que ele estava com 12 pontos de diferença em relação à Lula e na última pesquisa a diferença caiu para 4 pontos. Então seria algo significativo”, comentou.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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