Após a correção do dia anterior, o Ibovespa retomou a linha dos 162 mil pontos, e se reaproximou dos 163 mil no fim desta quinta-feira, 08, atingindo a máxima do dia no fechamento – em alta de 0,59%, aos 162.936,48 pontos -, colocando até aqui o ganho na semana a 1,49% e o do mês e ano a 1,12%. Nesta quinta, as ações de Petrobras tiveram protagonismo para o avanço do índice, com a ON em alta de 2,50% e a PN, de 1,24%, enquanto Vale ON exerceu pressão negativa, em baixa de 0,97% no fechamento. O giro foi a R$ 23,4 bilhões na sessão.
Por sua vez, o setor financeiro teve desempenho misto, com as variações nas maiores instituições tendo ficado entre -1,70% (Bradesco PN) e +2,16% (BTG Unit), ainda refletindo a recente volatilidade maior no segmento, em razão das incertezas em torno da liquidação do Banco Master, observa Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos. Itaú PN, principal papel do segmento, avançou 1,55% nesta quinta. Na ponta ganhadora do índice da B3, Brava (+5,70%) e as três ações de Axia Energia (PNB +4,07%, PNC +3,80% e ON +3,41%), além de Braskem (+3,99%). No lado oposto, Hapvida (-4,77%), Porto Seguro (-4,55%) e WEG (-4,17%).
“O Ibovespa ainda mantém trajetória positiva para 2026, mas com um grau maior de incerteza e de volatilidade esperada, especialmente após um ano, 2025, que foi forte para a Bolsa”, diz Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, mencionando que o enfraquecimento do dólar frente ao real contribuiu para que o Brasil fosse colocado, no ano passado, como um dos destinos favorecidos pelo investidor internacional. Ele menciona que, no curto prazo, a incerteza geopolítica maior, neste começo de 2026, tende a resultar em volatilidade aguda especialmente para uma commodity correlacionada à Bolsa brasileira, o petróleo.
Nesta quinta, tal volatilidade foi benéfica às ações de Petrobras, com os contratos futuros da commodity em alta superior a 3% em Londres e Nova York. O presidente dos EUA, Donald Trump, e assessores de seu governo estão planejando uma iniciativa abrangente para dominar a indústria petrolífera venezuelana nos próximos anos, incluindo certo controle na empresa estatal do país, a Petróleos de Venezuela SA (PdVSA), segundo fontes do Wall Street Journal. Diversos executivos do setor petrolífero participarão de uma reunião com o republicano, nesta sexta, 09.
Em outro desdobramento na geopolítica da energia, com efeito sobre a precificação de ativos do setor, Trump voltou a ameaçar tomar medidas contra o Irã, caso a nação tente reprimir as manifestações contra o regime do país. Ele afirmou que se Teerã assassinar qualquer manifestante, Washington atacará “com muita força” e fará o país “pagar caro”.
Quando perguntado sobre os relatos de mortes nos protestos, Trump as relacionou a “problemas de controle de multidões” e “pisoteamentos”, e não a ações diretas das forças de segurança iranianas.
“O Ibovespa teve uma leve recuperação, muito em função da Petrobras, mas com algum suporte também do setor financeiro. Não foi um dia com muitas alterações mo cenário macro ou de política, com o Ibovespa mostrando uma melhora na percepção sobre ativos de risco após a correção de quarta, com fechamento também nos DIs de longo prazo”, diz Moreira, da ONE Investimentos.
Dólar
O dólar operou ao redor da estabilidade ao longo da tarde e encerrou a sessão desta quinta-feira, 8, cotado a R$ 5,3890 (+0,04%). Segundo operadores, a taxa de câmbio busca uma acomodação após furar o piso de R$ 5,40 e acumular baixa de quase 2% neste início de janeiro.
O clima é de cautela à espera da divulgação nesta sexta, 9, do relatório de emprego (payroll) nos EUA em dezembro, que pode mexer com as expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve. No Brasil, as atenções se voltam ao IPCA de dezembro, embora não haja expectativa de que o indicador possa mudar a aposta majoritária de manutenção da taxa Selic em 15% neste mês.
“Vimos um câmbio mais de lado, com o mercado em compasso de espera pelo payroll. O fluxo está muito fraco e a liquidez baixa. Deve haver uma melhora a partir da próxima semana”, afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.
Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – operou em alta moderada ao longo do dia e aproximou-se dos 99,000 pontos, com máxima aos 98,984 pontos. A moeda americana também avançou na comparação com a maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, a despeito do avanço de mais de 3% dos preços do petróleo.
Números de pedidos semanais de auxílio-desemprego vieram praticamente em linha com o esperado. Sem sinais mais fortes de deterioração do mercado de trabalho e da atividade, é provável que o Fed opte por manter a taxa básica de juros americana inalterada no curto prazo, depois de cortes acumulados de 75 pontos-base em 2025.
Monitoramento do CME Group mostra que as chances de manutenção dos juros em janeiro superam 80%. A probabilidade de que a taxa permaneça inalterada também em março supera 50%. Ou seja, a retomada do alívio monetário ficaria para o segundo trimestre.
Juros
O pregão desta quinta-feira, 08, marcou mais um dia – o quarto seguido – de pouca movimentação e liquidez escassa nos juros futuros negociados na B3, na medida em que a produção industrial, já considerada um dado defasado, veio exatamente em linha com o esperado – com variação nula em novembro – e teve impacto neutro sobre a curva a termo.
Os trechos curtos deixaram a relativa estabilidade observada na primeira parte da sessão e passaram a registrar máximas intradia por volta das 14h30, mas a alta não passou de 4 pontos-base, com o mercado à espera do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do relatório oficial de empregos dos Estados Unidos de dezembro – o payroll. Ambos os dados serão conhecidos nesta sexta-feira, 08.
Já os vértices intermediários e longos seguiram negociados em patamar bem próximo dos ajustes anteriores. Nessa parte, o leilão inaugural de Notas do Tesouro Nacional – Série (NTN-F) para janeiro de 2037, ocorrido nesta quinta, exerceu pressão sobre a curva em um primeiro momento, mas sem perdurar, uma vez que o Tesouro reduziu as quantidades ofertadas de outros vencimentos para contrabalançar o risco total ao mercado.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,681% no ajuste de quarta-feira para 13,725%. O DI para janeiro de 2029 oscilou de 12,994% para 13,010%. Em sentido oposto, o DI para janeiro de 2031 marcou 13,32%, vindo de 13,346% no ajuste.
“Amanhã teremos a publicação do IPCA e do payroll nos Estados Unidos, que deve mexer na parte da moeda. Sexta será o dia importante”, afirma Marcelo Bacelar, gestor de fundos multimercados da Azimut Brasil Wealth Management, para quem não houve nenhum gatilho relevante para os DIs nesta quinta.
Para o economista de uma grande tesouraria ouvido pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a elevação nos trechos mais curtos da curva pode ter sido motivada por operadores se preparando para um resultado maior que o esperado do indicador oficial de inflação de dezembro. A mediana do Projeções Broadcast indica aumento de 0,33% no mês passado, e de 4,27% no acumulado de 2025. “Até achamos que o dado vai ser bom, mas a alta dos DIs curtos pode ser gente com medo”, disse.
Bacelar acredita que o dado de janeiro terá mais peso para determinar preços no mercado de juros futuros. O índice do mês atual deve trazer informações de importância aos investidores, avalia, como o nível dos reajustes de mensalidades escolares, que pertence ao grupo de serviços, e também se a Petrobras vai, de fato, reduzir os preços da gasolina nas refinarias, com as cotações nacionais acima do Preço de Paridade Importação (PPI).
Nos Estados Unidos, a curva dos Treasuries mostrou discreta abertura, corrigindo parte da queda da sessão de quarta, em um comportamento que pouco afetou as taxas futuras locais. Segundo o gestor da Azimut, os títulos soberanos americanos estão perdendo força como condutores do mercado de renda fixa brasileiro, uma vez que as questões que devem movimentar as taxas daqui em diante são domésticas.
“Os Treasuries estão afetando menos os juros locais e isso deve continuar, porque temos uma dinâmica muito particular aqui. Há um debate sobre o nível do juro neutro, se o BC vai começar a cortar a Selic em janeiro ou março… os motivos internos são suficientes para que o mercado não precise pegar os Treasuries como referência”, avalia. Em sua visão, há uma chance de apenas 20% de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de afrouxamento do juro básico já neste mês, com 80% de probabilidade na reunião do terceiro mês do ano.


