A Justiça do Rio de Janeiro revogou a condicional e expediu um mandado de prisão para o goleiro Bruno por ele ter saído do Estado sem autorização. Recentemente, ele voltou aos gramados, atuando pelo Vasco-AC, em Rio Branco.
Bruno cumpria pena em liberdade condicional. Ele foi condenado a 22 anos e um mês de reclusão por homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e lesão corporal de Eliza Samudio.
A ida de Bruno ao Acre foi o que motivou a Vara de Execuções Penais a tomar as medidas. “As condutas do apenado devem ser encaradas como descaso no cumprimento do benefício que lhe foi concedido”, escreveu o juiz Rafael Estrela Nóbrega.
O magistrado ainda destacou que Bruno, que estava em situação irregular, efetivou sua condicional junto à Justiça do Rio de Janeiro, mas, apenas quatro dias depois, foi para o Acre sem autorização “em violação às determinações contidas na decisão que concedeu o benefício”.
“Ressalte-se que o apenado é quem deve se adequar às regras de cumprimento da pena, seja em qual estágio ela esteja, e não o contrário. Além disso, o reeducando tomou ciência de todas as condições inerentes ao benefício, não podendo alegar desconhecimento dos requisitos impostos”, completou o juiz.
O goleiro fez apenas um jogo pelo Vasco-AC e já deixou o clube. Ele atuou pela Copa do Brasil, no empate por 1 a 1 contra o Velo Clube. Na disputa de pênaltis, Bruno defendeu duas cobranças, mas não evitou a eliminação do time acreano.
A chegada do jogador ao Vasco-AC foi controversa. A rede de mercados Arasuper, que era patrocinadora máster da equipe, rompeu o contrato após a partida pela Copa do Brasil. A justificativa foi “acontecimentos recentes envolvendo o clube”.
Além da contratação de Bruno, o Vasco-AC homenageou, na partida pela Copa do Brasil, três jogadores do seu elenco que são acusados de cometer estupro de duas mulheres no alojamento do clube.
A previsão para o término do cumprimento da pena de Bruno era 8 de janeiro de 2031. Ele foi condenado em processo julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). A execução da pena parou no Rio de Janeiro em 2021, após mais de uma transferência, acompanhando propostas de trabalho recebidas por Bruno no período de cumprimento.
A condenação aconteceu em 2013. Bruno até conseguiu um habeas corpus, em fevereiro 2017, no Supremo Tribunal Federal (STF). Dois meses depois, porém, a Corte voltou a julgá-lo e o reconduziu à prisão.
Em 2019, Bruno teve determinada a progressão de pena para o regime semiaberto. Foi quando ele voltou a jogar futebol, pelo Boa Esporte, na época, na Série C do Campeonato Brasileiro.
Foi em 2023 que houve a progressão do semiaberto (em que dormia na penitenciária) para liberdade condicional. Entre 2020 e 2026, Bruno passou por Poços de Caldas (MG), Rio Branco (AC), Atlético Carioca (RJ), Búzios (RJ), Orion (time de várzea de São Paulo), União do Bom Destino (ES) e Capixaba (ES).


