Publicações antigas do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com críticas a Gilberto Kassab, presidente do partido, voltaram a circular nas redes após a filiação do governador ao PSD nesta semana. Os posts, publicados entre 2012 e 2015 no então Twitter (agora X), não estão mais no ar, mas capturas de tela se espalharam novamente.
As mensagens foram escritas quando Caiado fazia oposição ao grupo de Kassab, entre 2012 e 2015. Em janeiro de 2015, ele chamou Kassab de “cafetão do Planalto” e afirmou que o dirigente se moldava “ao formato do poder”.
Procurada, a Secretaria de Comunicação do Governo de Goiás não respondeu até a publicação deste texto. Gilberto Kassab comentou sobre o assunto em entrevista ao UOL News.
Em entrevista ao UOL News nesta quinta-feira, 29, Kassab afirmou que mantém uma relação de amizade com Caiado “há muitos anos” e contextualizou os ataques feitos pelo governador à época. Segundo ele, as declarações ocorreram em um momento de enfrentamento político, quando o PSD se consolidava e o então Democratas (DEM) atravessava uma crise interna, com a saída de lideranças importantes. “Havia muito estresse nessas relações de quem saía, de quem entrava, e naquele momento foi uma discussão acalorada”, disse.
O presidente do PSD afirmou ainda que, poucos dias depois das publicações, Caiado entrou em contato para se retratar. “O Caiado ligou, pediu desculpa e, durante esses anos todos, tivemos várias oportunidades juntos. Eu posso dizer que somos amigos e há muito respeito da minha parte com ele e dele comigo”, disse.
Caiado deixou o União Brasil na terça-feira, 27, e, horas depois, anunciou a filiação ao PSD. Na quinta, 29, as publicações com ataques a Kassab já não estavam no ar. Registros de tela circularam no X e foram replicados por alguns perfis.
Kassab é secretário de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo, o partido mantém quadros no primeiro escalão da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Kassab costuma se apresentar como um político pragmático. Ao fundar o PSD, em 2011, afirmou que a legenda não se alinharia nem à direita nem à esquerda. Antes disso, foi filiado ao DEM e governou a capital paulista entre 2006 e 2012.
Com a entrada de Ronaldo Caiado, o PSD passa a reunir três governadores com projeção nacional e pretensões presidenciais. Além do chefe do Executivo de Goiás, integram esse grupo Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Essa será a primeira vez que o partido lançará uma candidatura própria ao Palácio do Planalto.


