O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) publicou uma portaria que reconhece situação de emergência de saúde pública no município de Dourados, no Mato Grosso do Sul. O motivo é o avanço de doenças infecciosas virais, com destaque para os casos de chikungunya. A medida foi divulgada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira, 30.
Em 2026, a região urbana da cidade já registrou 785 casos confirmados e 39 internações em razão da doença. Além disso, existem outros 900 casos em investigação.
Os números também são alarmantes na reserva indígena do município, onde já foram registrados 629 casos confirmados, sendo 428 com atendimento hospitalar. Sete pacientes precisaram ser internados e cinco morreram por chikungunya. Existem ainda 539 casos em investigação.
“Com o reconhecimento da situação de emergência em saúde, a Prefeitura de Dourados poderá enfrentar de forma mais contundente o avanço da doença sobre os bairros e, também, ampliar as ações que já estão sendo realizadas na reserva indígena, em parceria com o governo federal e com o governo do Estado”, afirma a administração municipal, em nota.
A portaria autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais sob o comando da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Dourados. O objetivo é organizar ações de resposta à situação.
O texto também autoriza a convocação de voluntários e a realização de campanhas de arrecadação de recursos para reforçar ações de combate à doença.
A portaria ainda amplia os poderes das autoridades e agentes da Defesa Civil em situações de risco imediato. Com isso, eles podem entrar em residências para prestar socorro ou determinar a evacuação do local. Em casos de perigo público iminente, o uso de propriedade particular também é permitido, e o proprietário tem direito a indenização se houver dano.
Vacinação
Diante da situação, o Ministério da Saúde informou que vai disponibilizar doses da vacina contra chikungunya como parte de uma estratégia piloto de prevenção à doença.
A pasta também autorizou, em caráter emergencial, a contratação de 20 agentes de combate a endemias (ACE) para atuar na região. O ministério ainda passou a disponibilizar insumos, como larvicidas, e prevê o repasse de outros recursos para reforçar as ações de combate.
Chikungunya
O vírus chikungunya é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. A doença costuma se manifestar com febre de início súbito, geralmente acompanhada de manchas vermelhas na pele e dores intensas nas articulações que podem persistir por semanas, meses ou até anos.
Pacientes nos extremos de idade, como recém-nascidos e idosos, além de pessoas com condições pré-existentes, como diabetes e doenças cardiovasculares, apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença e podem precisar de hospitalização.
Não há um tratamento antiviral específico para chikungunya. O cuidado é voltado ao alívio dos sintomas, com o uso de medicamentos para controlar a dor e a febre.


