O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Chicago, Austan Goolsbee, deixou em aberto, em entrevista para a CNBC nesta segunda-feira, 23, a trajetória dos juros pelo BC dos Estados Unidos neste ano. Ele afirmou que continua “otimista” de que a política monetária pode ser afrouxada até o final de 2026, mas precisa de “provas” de que a inflação está caminhando para a meta de 2%.
“O Fed pode voltar a um cenário de múltiplos cortes de juros; também podemos observar condições em que o Fed pode aumentar as taxas de juros”, ponderou o dirigente do Fed, ao mencionar que o novo choque de preços de energia decorrente das tensões no Oriente Médio “atrapalha” os planos do BC norte-americano e ninguém pode dizer o que acontecerá na questão geopolítica.
Historicamente, segundo Goolsbee, os choques do petróleo têm sido estagflacionários, agravando tanto a inflação quanto o desemprego. No entanto, ele afirmou que ainda está tentando entender quanto tempo levará para que os altos preços do petróleo impactem outras partes da economia.
Para Goolsbee, a inflação já estava em níveis “desconfortavelmente altos” antes do aumento nos preços de energia e, ainda que o Fed espere que o impacto não seja duradouro, possui um reflexo expressivo nas expectativas das famílias.
De acordo com o dirigente, até o momento, as expectativas de inflação parecem estar bem ancoradas, mas alertou que, uma vez que se desviam do caminho, é difícil corrigi-las.
Por outro lado, na ponta do mercado de trabalho, ele avalia que a taxa de desemprego não aumentou muito e que a criação de empregos pode não ser uma boa medida de capacidade ociosa. “Estamos mais perto do pleno emprego do que da meta de inflação. A inflação parece ser o grande risco atualmente”, disse.


