O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou, em entrevista para a CNBC, nesta sexta-feira, 30, que dois cortes nas taxas de juros não representam seu cenário base porque ele acredita que a inflação será “teimosa” e “persistente”. Segundo ele, a inflação ainda é muito alta e precisa ser reduzida para a meta a 2%, apesar de parecer “estagnada” há dois anos.
“Gostaria de ver evidências claras de um retorno da inflação a 2%. Ainda temos um longo caminho a percorrer em relação à inflação, precisamos estar vigilantes. O risco de a inflação permanecer muito alta ainda é uma preocupação e, ainda que eu não espere que ela suba, acredito que pode persistir”, explicou ele, ao mencionar que a perspectiva é que a inflação “se mantenha estável” durante a maior parte deste ano.
Bostic avalia que o Fed ainda deve permanecer “um pouco” restritivo, levando em consideração a inflação, e que o BC americano não precisa flexibilizar a política monetária agora. Para ele, é preciso ter paciência em relação aos juros, e ressaltou que pode-se dizer que a inflação e os riscos de emprego estão em equilíbrio neste momento.
O presidente da distrital de Atlanta ainda pontuou que alguns efeitos das tarifas sobre os preços que ainda não se manifestaram e disse acreditar que o Fed terá algum impacto das tarifas até o primeiro semestre de 2026.
Ele também parabenizou Kevin Warsh pela indicação para assumir a presidência do BC com a saída de Jerome Powell. “Não conheço Warsh muito bem, trabalhamos pouco juntos. Vamos precisar esperar ele assumir o cargo para ver como será”, disse.
Na ocasião, Bostic afirmou que todo presidente de BC chega ao posto com “suas próprias visões sobre o mundo” e pontuou que a independência é sempre uma preocupação e deve ser preservada.
Ele também disse que, atualmente, o tamanho do balanço patrimonial do Fed está adequado e que cresceu em resposta à crise, mas precisa crescer acompanhando o ritmo da economia.


