CNI: falta de qualificação é 4ª maior entrave da indústria, após impostos, juros e demanda

Apesar da menor taxa de desemprego desde 2012, a indústria sustenta que a escassez de profissionais qualificados tem se agravado e trava a competitividade ao obrigar as empresas a capacitar e requalificar os trabalhadores. A análise consta em uma nota técnica publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 9.

A CNI lembra que a falta de mão de obra qualificada se tornou um dos principais problemas enfrentados pela indústria, sobretudo nos últimos cinco anos, após a pandemia de covid-19. Segundo a Sondagem Industrial, da entidade, a escassez de profissionais capacitados chegou a figurar na última posição do ranking de 17 preocupações do setor. A menção a esse item no ranking se manteve em torno de 5% entre 2015 (início da série) e 2020. De lá até 2024, cresceu quase ininterruptamente, quando atingiu 23% das assinalações.

Desde então, o entrave oscila em torno desse porcentual, chegando a atingir 23,3% no segundo trimestre do ano passado, maior porcentual da série até o momento.

No levantamento mais recente, a falta de qualificação aparece na quarta posição do ranking de principais problemas, atrás apenas da elevada carga tributária, dos juros altos e da demanda interna insuficiente.

Entre as pequenas empresas, o problema atinge 28,4% das empresas, em segundo lugar do ranking e atrás apenas da questão tributária.

“Sem trabalhador qualificado, as empresas têm dificuldade para aumentar a produtividade, afetando tanto a busca pela eficiência quanto a redução de desperdícios. Na hora de capacitar os trabalhadores, elas esbarram em outro problema: as lacunas na formação educacional, que dificultam o aprendizado e desestimulam os trabalhadores”, afirma o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.

Outro desafio citado pela confederação é a rápida transformação tecnológica e organizacional, que exige requalificação contínua dos trabalhadores. Segundo o Mapa do Trabalho Industrial da CNI, três em cada cinco trabalhadores precisarão ser treinados até 2027. O principal objetivo das capacitações é alinhar as competências dos profissionais recém-contratados às demandas das empresas.

Taxa de desocupação

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no trimestre encerrado em dezembro foi de 5,1%, a menor da série histórica. Do total de ocupações, 38% não têm registro ou proteção social, estando na informalidade.

Além disso, a CNI vê como crescente a falta de interesse da população, especialmente dos mais jovens, por relações de trabalho tradicionais. E cita uma pesquisa divulgada pelo Datafolha no ano passado que aponta que 59% dos brasileiros preferem ser autônomos, porcentual que sobe para quase 70% entre os jovens de 16 a 24 anos.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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