Tempestades com granizo têm se tornado cada vez mais frequentes em diversas regiões do País e podem causar prejuízos elevados aos motoristas. Em poucos minutos, pedras de gelo são capazes de danificar lataria, quebrar faróis, vidros e até gerar perda total em carros mais sofisticados.
Segundo Alexandre Dias, mecânico e diretor da Guia Norte Auto Center, a principal orientação ao enfrentar uma situação dessas é interromper o deslocamento assim que a chuva de granizo começar e buscar abrigo adequado.
“O ideal é ir para um local fechado e seguro, um estacionamento coberto ou uma garagem. Sempre estruturas de concreto, com laje. Estruturas metálicas não são recomendadas, porque já houve casos em que elas caíram sobre o carro durante a chuva”, afirma Dias.
O especialista alerta que parar em locais improvisados, ou sob árvores, pode aumentar o prejuízo e até colocar ocupantes em risco.
Quantidade
Ao contrário do que muitos imaginam, o granizo raramente causa um único dano visível. O problema está na quantidade. “Não é um amassado grande. São muitos amassadinhos espalhados pela lataria, e isso encarece muito o reparo”, explica Dias.
Na maioria dos casos, o conserto é feito com “martelinho de ouro”, técnica que preserva a pintura, mas que pode custar caro dependendo da extensão dos danos. Segundo o especialista, já houve casos de reparos que ultrapassaram R$ 10 mil apenas nesse tipo de serviço.
Nos carros mais modernos, itens como faróis de LED (que podem custar até R$ 30 mil, dependendo do modelo) e tetos solares e panorâmicos (que podem variar de R$ 15 mil a R$ 30 mil) tendem a elevar a conta. Dependendo da extensão dos estragos, capô e tampa do porta-malas podem precisar de substituição.
“Faróis costumam quebrar mais que lanternas, por ficarem mais inclinados. Lataria sempre sofre bastante. O custo nunca é baixo”, alerta.
Seguro
Os danos causados por granizo podem gerar dúvidas sobre cobertura do seguro. De acordo com Fábio Morita, diretor executivo de automóvel, massificados e vida da Allianz Seguros, esse tipo de evento costuma estar incluído nos contratos mais comuns.
Segundo Morita, a queda de granizo faz parte da chamada cobertura compreensiva, presente a partir dos pacotes básicos da seguradora.
“Essa cobertura protege o veículo contra colisões, roubo e danos causados por eventos da natureza, como granizo, alagamentos e quedas de raio”, explica. De acordo com ele, o pacote não precisa ser contratado à parte. Mas essa política varia conforme a seguradora.
Em geral, nas grandes empresas, a proteção contra granizo já está incluída na cobertura compreensiva. No entanto, Morita ressalta que apólices mais simples, voltadas apenas para roubo e furto ou para responsabilidade civil contra terceiros (RCF-V), não cobrem esse tipo de dano.
De acordo com o executivo, o atendimento depende do tipo de dano. Amassados na lataria, pintura, capô ou teto entram na cobertura compreensiva, respeitando o valor da franquia. Danos a para-brisa, vidros, faróis, lanternas, retrovisores e teto solar podem ser atendidos pela cobertura adicional para essas peças. Quando contratada, geralmente tem custo menor ao segurado.
Vale ressaltar que, sem a cobertura adicional, esses itens continuam protegidos pela cobertura compreensiva, mas com aplicação da franquia.
Morita destaca ainda que muitas seguradoras possuem parcerias com empresas especializadas em reparos de vidros e componentes, com atendimento em todo o Brasil. “Isso garante mais agilidade no conserto e padronização na qualidade do serviço prestado ao segurado”, afirma.


