O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), fez uma série de elogios ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento de aniversário de 46 do partido, em Salvador (BA).
“Dizer da alegria, é uma bela história e a história não é escrita por decreto, a história se faz no pulsar das ruas, no brilho dos olhos, na mão calejada. O PT não nasceu do alto, nasceu do povo”, afirmou Alckmin em discurso. “O Brasil tem em Lula um líder e o mundo tem acompanhado sua luta com firmeza em defesa da justiça, em defesa da paz”, prosseguiu.
“É hora de comparação, democracia versus ditadura”, continuou Alckmin. Ele criticou o governo Jair Bolsonaro (PL), dizendo que ele queria a volta da CPMF, enquanto o governo Lula isentou de Imposto de Renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduziu para quem ganha até R$ 7.350. “Em todas as áreas que nós formos verificar, nós vamos ver que nós avançamos e muito.”
Em seguida, Alckmin disse que “falam muito da questão fiscal”, mas comparou: “Em 2020, esses arautos do fiscalismo fizeram déficit primário de quase 10% do PIB. A justificativa: Covid. Teve Covid no mundo inteiro”. E citou o exemplo do México, que naquele mesmo ano, entregou déficit de 0,5% do PIB. “O Brasil não vai andar para trás, o que anda para trás é caranguejo. Nós vamos para frente, Lula presidente”, encerrou o vice-presidente.
Pouco antes de discursar, provocado pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), Alckmin exibiu para a plateia, sentado ao lado de Lula, meias vermelhas.
Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou neste sábado seus vice-presidentes, lembrando das parcerias com José Alencar, dos dois primeiros mandatos, e Geraldo Alckmin (PSB), deste terceiro governo.
“Tenho muita sorte na vida, e uma delas é escolher meus vices. Eu tive o José Alencar e agora eu tenho o Alckmin. Então, eu duvido que algum presidente tenha tido a sorte de ter tido vices que eu tenho”, disse Lula em ato de aniversário de 46 anos do PT, em Salvador (BA). Lula disse também que aprendeu “a admirar, a respeitar e a conviver da forma mais civilizada possível” com Alckmin.
O elogio a Alckmin vem em um momento em que se discute a permanência dele na chapa petista na disputa à reeleição, ante a possibilidade de que o pessebista dispute cargos em São Paulo.
Na quinta-feira, ele disse que Alckmin e os ministros Fernando Haddad (PT) e Simone Tebet (MDB) têm um “papel para cumprir em São Paulo”. Nos bastidores, a fala foi vista como uma inclinação de Lula a abrir mão do atual vice para uma outra composição eleitoral.
Quadros históricos do PT, como o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu, defendem a repetição da chapa de 2022, que, segundo ele, representou “um pacto político” vitorioso.
Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse há pouco que “sua razão” de estar no meio político é para “encontrar caminhos” para o mundo e a sociedade e não “sair bem com todo mundo”. A declaração foi feita durante o evento de lançamento do livro “Capitalismo superindustrial”, de autoria do próprio Haddad, e que aconteceu no Sesc 14 Bis, em São Paulo, neste sábado.
Ao comentar sobre o porquê da publicação, Haddad brincou com a plateia e disse que “não é recomendado” que um ministro da Fazenda publique um livro como esse, por conta das críticas que ele poderia receber de todos os espectros políticos. “É natural que você busque proteção. Às vezes é tanta porrada, de esquerda, de direita, de cima, de baixo, de dentro, é de todo canto”, disse Haddad. Ele frisou, porém, que não poderia deixar o cargo de ministro sem antes ter publicado o livro.
Segundo Haddad, a obra, que aproveita parte de seus trabalhos acadêmicos escritos no passado sobre a economia da União Soviética, ganhou importância à medida em que a China se tornou uma potência econômica, capaz de colocar sob ameaça a hegemonia do Ocidente.
“A China deu a oportunidade de voltar à discussão sobre, afinal de contas, o que é aquela experiência soviética? Qual é a natureza socioeconômica daquela experiência e os objetivos? Esse desafio ao Ocidente é uma simples disputa pela hegemonia na economia mundial, ou tem alguma coisa além disso?”, detalhou o ministro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


