Abdib: cresce otimismo para investimentos em infraestrutura; saneamento retoma protagonismo

Mais da metade dos agentes do setor de infraestrutura avalia como favorável o cenário para novos investimentos no País nos próximos seis meses, segundo a 14ª edição do Barômetro da Infraestrutura, levantamento da Abdib em parceria com a EY-Parthenon. A pesquisa mostra que 54,6% dos empresários estão otimistas. O saneamento básico voltou a liderar as intenções de aportes, retomando protagonismo entre os segmentos analisados.

O porcentual de avaliação positiva representa avanço relevante frente à edição anterior do estudo, há um semestre, quando 40,6% dos entrevistados classificavam o ambiente como favorável. Ao mesmo tempo, o pessimismo recuou de 30,7% para 20,4%, sinalizando maior confiança do mercado mesmo diante de incertezas macroeconômicas e geopolíticas.

Para o sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura, Gustavo Gusmão, os dados evidenciam a resiliência do setor. “Mesmo com um ambiente de incertezas, a maioria dos respondentes ainda enxerga o cenário como favorável para investimentos, além de uma queda expressiva no pessimismo”, afirma.

Gusmão destaca ainda que o perfil de longo prazo dos projetos de infraestrutura ajuda a mitigar impactos conjunturais. “Muitos projetos já estão estruturados ou na fila para leilões, o que reduz o impacto de ciclos eleitorais. Soma-se a isso a expectativa de queda da Selic ao longo do ano e o volume elevado de concessões recentes”, completa.

O levantamento também indica que 21,3% dos executivos ouvidos afirmam manter investimentos mesmo com a taxa de juros em 15% ao ano, recorrendo majoritariamente a capital próprio. O dado sugere adaptação das empresas a um ambiente de crédito mais restritivo.

Segundo o diretor de Planejamento e Economia da Abdib, Roberto Guimarães, esse movimento representa uma mudança relevante. “Historicamente, o setor se alavanca com capital de terceiros, mas parte das empresas segue investindo mesmo que precise utilizar recursos próprios”, avalia.

O estudo também destaca o desempenho da iniciativa privada em 2025, ano que registrou investimento recorde de R$ 234,9 bilhões em infraestrutura. Desse total, 84% vieram do setor privado, consolidando seu protagonismo no financiamento de projetos.

“Esse volume é equivalente ao que se investia em infraestrutura entre 2012 e 2013 e cria um ambiente mais favorável às concessões, além de permitir um uso mais eficiente do orçamento público por meio de PPPs”, afirma Guimarães.

PPPs

No recorte sobre Parcerias Público-Privadas e concessões, a União apresentou a mudança mais significativa. Pela primeira vez na série recente, a percepção positiva superou o ceticismo, com 46,4% dos entrevistados avaliando que o governo federal aproveita parcialmente esse potencial.

De acordo com Gusmão, o resultado reflete maior esforço na estruturação de projetos. “O mercado reconhece avanços do governo federal em agendas como rodovias, além do apoio a estados e municípios por meio de estruturas como PPI, BNDES e Caixa”, diz.

Na esfera estadual, 59% dos empresários avaliam que o potencial de investimentos por concessões e PPPs é parcialmente aproveitado. Já no nível municipal, esse porcentual cai para 22,1%, apontando para limitações estruturais.

“Isso indica que a capacidade de estruturação de projetos nos municípios segue como um dos principais gargalos federativos para a expansão da infraestrutura”, alerta Gusmão.

Setores em destaque

Entre os setores com maior expectativa de investimentos, o saneamento básico retomou a liderança, com 49,2% das intenções, após ter sido superado pelas rodovias na edição anterior. O segmento rodoviário ficou em segundo lugar, com 47,8%, seguido por energia elétrica, com 38,5%.

Gusmão observa que os três setores concentram, pela sétima edição consecutiva, a maior parte das expectativas de expansão. “A mobilidade urbana também ganha força, especialmente nas grandes metrópoles, e há estudos do BNDES em fase final para destravar investimentos nesse segmento”, afirma.

No mercado de trabalho, 47,5% dos entrevistados indicaram perspectivas favoráveis para contratações, avanço de 11,3 pontos porcentuais. Ainda assim, a escassez de mão de obra qualificada segue como um gargalo estrutural, com 87,5% apontando impactos em seus negócios.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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