O painel O Mundo Como Laboratório abriu a trilha de Branding Experience do São Paulo Innovation Week com uma importante reflexão sobre a diversidade global da inovação, especialmente na Ásia. Mari Castro, head de curadoria da plataforma de experiências KES, Ricardo Al Makul, cofundador da KES e Gabriela Onofre, CEO da operação brasileira da multinacional de comunicação Publicis Groupe, falaram sobre os motivadores desses processos, não apenas do papel de diferentes economias no ecossistema de inovação, mas também em suas possibilidades. Às vezes, inovação se trata apenas de robôs e IAs, mas em muitas outras está inclusive em tecnologias consideradas obsoletas.
O painel começou com um vídeo enviado pelo pesquisador, professor e colunista do Estadão Oliver Stuenkel. Em sua provocação inicial, ele lembra da liderança asiática em comércio exterior, poder de consumo e outros itens, apesar de o ocidente ainda ter papel dominante ao se falar de inovação. “É preciso olhar também para Shenzhen, Bangalore, Jacarta, Lagos não como fator exótico, mas em termos práticos.”
Castro lembrou dos diversos critérios que ajudam a medir a inovação global. Indicadores como patentes, pesquisas, publicações, investimento, crédito, cultura, geopolítica e geografia, além da mentalidade predisposta ao risco. Makul lembrou que as características próprias de vários mercados no impulsionamento local: no Brasil, o agronegócio como forte motivador; em Israel, o território pequeno; em Cingapura, o olhar do governo probusiness.
Ele reforçou o exemplo chinês, com um ecossistema de inovação muito distribuído. “Lá tem os planos quinquenais e o Estado está no controle, mas a iniciativa privada é muito competitiva. Ela pode atuar com forte concorrência desde que não fuja dos planos do governo.”
Makul citou a força produtiva de Shenzhen, cidade chinesa que há poucas décadas era basicamente rural e que hoje produz todo tipo de tecnologia para empresas globais, de iPhones a drones. “A Boeing não exporta mais para a China porque eles já produzem os próprios aviões. A BYD já é a maior empresa do país. Eles pegam a capacidade técnica de cada indivíduo para levar ao nível de perfeição.”
Onofre lembrou que a China tem uma estrutura desenvolvimentista não só no Estado e nas empresas, mas inclusive nas cidades. “Tem OKRs (Objectives and Key Results) no nível de prefeitura: se não cumprir, o prefeito está fora. O país inteiro opera como uma grande empresa”, destacou. Acrescentou ainda que, às vezes, a inovação vai no sentido contrário, sendo conservador no contexto geográfico, como ocorre no Japão, onde ainda se usa fax como prevenção para contexto de terremotos e tsunamis.
Castro, da KES, acrescentou outra tecnologia antiga que ainda é importante na ilha asiática: “Estão usando uma certa obsolescência para não abrir mão do que funciona. Além do fax, lá tem muito orelhão, como uma ferramenta para alertar contra desastres naturais.”
Dentre suas viagens focadas em pesquisar inovação, Onofre recordou como as diferentes culturas trazem diferentes perspectivas, citando o senso de organização e educação da Alemanha, por exemplo. “Tem coisas que observamos, quando saímos do lugar, que é como a cultura que influencia, para além do governo. O que o entorno, pela escassez ou pela localização, provoca”, disse.
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, de 13 a 15 de maio. Dentre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.


