Um dia após trocar advogados, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) divulgou nesta terça-feira, 12, um vídeo em que nega ter apresentado a “emenda Master” na íntegra. Segundo a Polícia Federal (PF), o texto, que tratava do aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), foi encomendado pelo banqueiro Daniel Vorcaro à assessoria do Banco Master e apresentado pelo parlamentar no Senado com a mesma redação.
“É mentira que esta emenda foi publicada na íntegra conforme foi recebida. Este fundo (FGC) é completamente privado. Até hoje ninguém veio a público explicar porque este valor não é corrigido há 13 anos, sendo que isso só beneficia quem? Os grandes bancos e a concentração bancária em nosso País”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
O senador afirmou que vai reapresentar a emenda corrigindo o valor do limite de cobertura do FGC, que, segundo ele, teria que estar acima de R$ 840 mil. Hoje, o fundo reembolsa até R$ 250 mil por instituição ou conglomerado financeiro. “Agora não existe mais Banco Master. Eu quero ver qual é a desculpa que os grandes bancos vão utilizar para negar esta proteção aos correntistas brasileiros”, disse.
Os investigadores dizem ter colhido indícios de que Vorcaro encomendou a emenda que foi apresentada por Ciro na PEC que tratava do regime jurídico do Banco Central. O texto propunha aumentar o limite de cobertura individual do FGC para R$ 1 milhão. Em diálogos, Vorcaro chegou a comentar que a emenda apresentada pelo senador “saiu exatamente como mandei”.
A medida favoreceria diretamente o Master, porque o banco de Vorcaro usou a captação com pessoas físicas por meio de recursos via Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para alavancar seu patrimônio. A emenda acabou não sendo aprovada.
Na publicação desta terça, Ciro Nogueira também negou ter recebido mesada ou quaisquer valores ilícitos de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, o senador ganhava R$ 300 mil por mês do banqueiro – valor que pode ter subido para R$ 500 mil.
Suspeito de receber propinas por meio de empresas ligadas à sua família, ele afirmou que os valores supostamente transferidos “não chegam sequer a 1% do faturamento anual” dos empreendimentos.
“Nós temos uma rede de concessionária de motocicletas que fatura em torno de R$ 400 milhões por ano e me acusam de depósito de R$ 3 milhões nessa empresa. Isso é absolutamente comum em empresas dessas. Muitas peças e serviços são pagos em dinheiro, tudo com nota fiscal, tudo descrito em contabilidade, que uma auditoria pode ser feita por quem quiser”, disse.
Ainda segundo o parlamentar, as acusações “não passam de um roteiro absurdo de ficção”. “Essas coisas não surgem por acaso. Acontece porque estamos no ano eleitoral. Para acusar, a criatividade é infinita. Na hora de comprovar, não conseguiram e não conseguirão”, afirmou, citando novamente uma suposta perseguição eleitoral.
Investigações da Polícia Federal
Na última semana, Ciro Nogueira foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master. As investigações da PF apontam que ele recebia mesada de Daniel Vorcaro e “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar” em favor dos interesses do banqueiro.
A PF diz ter identificado o custeio de estadias em hotéis de luxo em Nova York, despesas em restaurantes de alto padrão e a disponibilização de um cartão de crédito de Vorcaro para uso pessoal do senador.
Nesta segunda-feira, 11, os advogados do senador deixaram o caso em decisão que definiram como “de comum acordo” entre as partes. A defesa era conduzida pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e foi assumida por Conrado Gontijo.



