Alunos da Faculdade de Medicina da USP aderem à greve e paralisam atividades no HC e HU

Estudantes do internato da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) anunciaram adesão à greve nesta segunda-feira, 11. Os alunos decidiram paralisar as atividades práticas e os atendimentos realizados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC) e no Hospital Universitário (HU). Procuradas pela reportagem, as unidades de saúde não haviam se manifestado sobre o caso até a publicação desta matéria.

Entre as pautas relacionadas à Faculdade de Medicina, os universitários criticam o programa “Experiência HCFMUSP na Prática”, destinado a estudantes de instituições privadas interessados em participar de atividades no Hospital das Clínicas mediante pagamento. O movimento avalia que a iniciativa estimula a “mercantilização” da formação médica.

Outra demanda envolve a recomposição do quadro de funcionários do Hospital Universitário. Segundo os alunos, a redução de servidores ao longo dos últimos anos resultou no fechamento de leitos, na diminuição da capacidade de atendimento e na sobrecarga das equipes.

A mobilização na USP se intensificou após o fim das negociações entre a Reitoria e representantes estudantis sem consenso sobre as reivindicações apresentadas. Em meio aos protestos, a reitoria da universidade foi ocupada por estudantes desde o dia 7 de maio e desocupada pela Polícia Militar na madrugada do último domingo.

Entre os principais pontos defendidos pelo movimento está o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). A universidade anunciou aumento do auxílio permanência de R$ 885 para R$ 912, mas os alunos reivindicam equiparação ao salário mínimo paulista, atualmente fixado em R$ 1.804.

Os grevistas também apontam deficiências nas políticas de permanência estudantil e relatam problemas estruturais na instituição, incluindo críticas ao funcionamento dos restaurantes universitários.

Enquanto estudantes da FMUSP aderiram à paralisação, professores titulares da faculdade divulgaram manifesto contrário ao movimento e favorável à retomada das atividades acadêmicas.

No texto, os docentes afirmam reconhecer avanços nas negociações conduzidas pela administração da universidade, mas avaliam que “o limite possível das negociações foi alcançado”. Também argumentam que a continuidade da greve compromete a reposição das aulas e traz impactos à formação.

A paralisação anunciada nesta segunda-feira também reúne estudantes, professores e servidores técnico-administrativos da USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Um ato unificado está previsto para as 14h em frente à reitoria da Unesp, na Praça da República, região central.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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