O Comitê de Política Monetária (Copom) reafirmou nesta terça-feira (5) que os passos futuros do processo de calibração da taxa Selic podem incorporar novas informações sobre os impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre a inflação. Também reforçou serenidade e cautela na condução da política monetária.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, disse.
A mensagem consta na ata da reunião de abril do Copom, publicada na manhã desta terça-feira, 5. No encontro, encerrado na última quarta-feira, 29, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50%.
Foi a segunda redução seguida da taxa básica de juros. Na reunião anterior, em março, o Copom havia dado início ao ciclo de “calibração” ao levar os juros de 15% para 14,75% – o primeiro corte em quase dois anos.
Na ata publicada nesta terça, o colegiado repetiu que a decisão de cortar a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, emendou.
O Copom repetiu as projeções para a inflação já apresentadas no comunicado. O colegiado prevê alta de 4,6% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, atual horizonte relevante da política monetária, espera alta de 3,5% para o IPCA, acima do centro da meta, de 3,0%.
Para os preços livres, projeta altas de 4,5% em 2026 e 3,5% em 2027. Para os administrados, altas de 4,8% e 3,6%, respectivamente.
Todas as projeções partem do cenário de referência, com trajetória de juros do Relatório Focus (publicado em 27 de abril) e bandeira amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027. A taxa de câmbio começa em R$ 5,00 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.








