O dólar operou em leve alta contra rivais fortes nesta sexta-feira, marcada por liquidez reduzida em razão de feriado em várias partes do mundo. Os ganhos da moeda americana ocorrem em meio a incertezas sobre a guerra no Irã, perspectivas para trajetória de juros do Federal Reserve (Fed) e intervenção cambial do Japão.
Por volta das 16h50 (de Brasília), o dólar subia a 157,07 ienes, o euro caía a US$ 1,1722 e a libra cedia a US$ 1,3577. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, fechou em alta de 0,1%, a 98,156 pontos, mas teve perda na variação semanal de 0,38%.
Para o Bank of America (BofA), o dólar teve desempenho limitado pelo petróleo e pelo salto do iene após intervenção do governo japonês, mas pode retomar rali bullish em maio, caso os dados dos Estados Unidos continuem a demonstrar a força da economia. O banco destaca ainda que a intervenção japonesa enfrenta desafios de durabilidade, o que a diferencia da operação executada em 2024. “A força do iene está desaparecendo, assim como a precificação de alta de juros pelo Banco do Japão (BoJ, em inglês) em junho”, aponta o BofA.
Em nota, a Bannockburn pondera que cinco bancos centrais do G10 tiveram decisões monetárias na última semana e, dentre eles, o Fed é o único cuja expectativa de retomada nos cortes de juros se manteve.
O grupo Macquarie destaca que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE, em inglês) adotaram postura mais hawkish devido aos riscos impostos pelos preços de energia e gargalos na cadeia de oferta, que deixam a economia europeia mais vulnerável. Segundo o grupo, essa vulnerabilidade se sobrepõe ao desempenho recente da inflação, que estava mais baixa na Europa do que nos EUA, e explica como o euro tem sustentado posição em relação ao dólar.
Hoje, os dirigentes do Fed Beth Hammack (Cleveland), Lorie Logan (Dallas) e Neel Kashkari (Minneapolis) comentaram sua dissidência na decisão monetária desta semana, assim como o economista-chefe do BoE, Huw Pill. Já os membros do BCE reforçaram cautela sobre a trajetória de juros, alertando para riscos de alta da inflação.



