De olho nas eleições, o senador Rodrigo Pacheco oficializou nesta quarta-feira, 1º, sua troca do PSD pelo PSB. O senador, no entanto, afirmou não ter definido se sairá candidato ao governo de Minas Gerais e que essa decisão será tomada a partir de segunda-feira, após conversas com lideranças mineiras. Ele é cotado para ser o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado, considerado fundamental pelo peso eleitoral.
“As definições em relação às eleições virão ao longo dos próximos tempos, até o momento da convenção, e teremos as definições propriamente ditas em relação a cada uma dessas posições”, falou sobre os nomes que comporão a chapa ao governo e ao Senado. A filiação foi assinada em evento na sede do PSB, em Brasília, e contou com o presidente do partido, João Campos, e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).
O senador cogitou, inclusive, a possibilidade de não encabeçar a chapa ao governo mineiro. “É um ato de filiação e não de anúncio de candidatura de pré-candidato … Pode, eventualmente, ser um outro nome que tenha também condições de fazer essa personificação de uma causa que é muito mais ampla, de projeto do Estado, de reconstrução do Estado”, falou.
O senador defendeu que a definição se dê apenas após ouvir, de “forma ampla”, lideranças estaduais e nacionais, como Lula, o presidente do PSDB, Aécio Neves; e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
O parlamentar disse também ter conversado com Lula pouco antes do evento. “Meia hora antes de chegar aqui ao PSB, recebi um telefonema do Presidente Lula também, me cumprimentando pela filiação ao PSB, me desejando muito boa sorte. Ele sabe o quanto nós todos de Minas temos expectativa por esse compromisso reafirmado pelo Presidente Lula, de olhar para Minas Gerais de maneira diferenciada”.
Crítica ao totalitarismo
Em tom eleitoral, Pacheco disse que a defesa da democracia passou a ser sua “causa de vida” e falou ser necessária a união dos “democratas” para lutar contra movimentos totalitaristas. “O negacionismo se apresenta como um risco, o totalitarismo se apresenta como um risco, a ruptura institucional que descredencia instituições do Poder Judiciário, do Poder Executivo e do Poder Legislativo ainda se apresenta como um risco. E os democratas deste País precisam se juntar, se agregar para poder fazer esse enfrentamento”, falou.
O senador disse que o PSB tem um histórico de lutar contra o totalitarismo e citou as posições do partido contra a tentativa de golpe de Estado em 2023 e contra a defesa do bolsonarismo contra a vacina contra Covid-19. “O PSB concebeu uma ideia, que era uma ideia de defender o Brasil contra regimes autoritários, contra o totalitarismo, em defesa das pessoas mais unidas, em defesa dos trabalhadores. E assim o fez ao longo da sua história e ao longo de momentos turbulentos no Brasil”, disse.
O senador disse ainda que o PSB exerceu o “verdadeiro patriotismo, ao lado daqueles que defendiam a democracia brasileira”. “O PSB se colocava na posição de um partido que defendia a ciência, que defendia a vacina, que defendia o tratamento das pessoas, que defendia o isolamento social naquele instante responsável, portanto, do lado certo da história”, falou.
Responsabilidade fiscal e redes sociais
Pacheco defendeu a responsabilidade fiscal para se ter um “partido moderno”. “É evidente que todos nós queremos desenvolvimento humano, todos nós queremos desenvolvimento social, mas não há nem desenvolvimento humano, nem desenvolvimento social, se não houver responsabilidade fiscal. Se não fizermos conta do erário público para dar conta das políticas públicas sociais que queremos entregar, sobretudo, para as pessoas mais pobres deste País”, falou.
Em uma indireta a adversários, o senador criticou o foco em redes sociais. “Essa lógica da responsabilidade fiscal é indispensável para um partido que se apresenta moderno, que se apresenta como capaz de dar solução efetiva, longe do TikTok. TikTok, às vezes, é até útil, né? Instagram, às vezes, é útil, mas com entregas efetivas para a população, a partir da responsabilidade fiscal”, continuou.
O senador disse que a “política responsável” pode ser antipática. “Essa lógica do PSB nacional, essa lógica do PSB do Estado de trazer para os seus quadros pessoas que têm esse compromisso democrático e que não se rendem, não transigem com a ruptura democrática para poder ter like em rede social ou coisa do gênero. Defender a democracia custa, às vezes, é até antipático, mas é preciso fazer a política responsável”.
Pacheco defendeu ainda que o partido tenha um olhar mais apurado para os entes federados. “Quero propor ao partido que pudéssemos ter esse olhar mais atencioso e mais fluente para os prefeitos federados e aos municípios. Os municípios, onde as pessoas vivem, e os prefeitos-presidentes, nossos presidentes, mais do que ninguém tem essa condição”, falou.
Histórico
Pacheco foi deputado federal e elegeu-se senador em 2018. Em 2021, elegeu-se presidente do Senado. Lula tem defendido há meses uma candidatura de Pacheco ao governo mineiro, mas o senador relutava e esperava uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após o presidente optar pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, Pacheco cogitou deixar a carreira política para voltar a advogar.
Em novembro, o senador admitiu a vontade de deixar o PSD depois de o partido filiar Mateus Simões, vice do então governador Romeu Zema (Novo): “É claro que a opção do PSD nacional foi ter aderência ao projeto do Romeu Zema. Isso não me incomoda. É uma opção feita pelo partido. E, óbvio, se a minha decisão for continuar na política e ser candidato ao governo, não seria pelo PSD”, declarou Pacheco em novembro.
Em fevereiro, o presidente do PT, Edinho Silva, reafirmou a necessidade de Lula ter um “palanque forte” em Minas Gerais. “Rodrigo Pacheco é uma grande liderança. Inclusive, das lideranças em ascensão no Brasil, certamente o Rodrigo está entre elas. Então, temos um palanque em Minas. Se fosse liderado pelo Rodrigo Pacheco, seria para nós algo importante”, disse o petista.
Após conversas com Lula, Pacheco retomou as articulações políticas por uma pré-candidatura a Minas Gerais e trocou elogios públicos com o presidente. “Quero dizer da minha satisfação de poder acompanhar hoje essa figura humana e extraordinária e esse político que certamente está gravado na história do Brasil como o maior político e democrata da nossa história, o presidente Lula”, falou o parlamentar, durante evento em Sete Lagoas (MG), em março.


