A alta recente dos preços de energia, em meio à escalada das tensões envolvendo o Irã, deve pressionar a inflação nos Estados Unidos e reforça a necessidade de cautela por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), afirmou o presidente da distrital de Kansas City, Jeffrey Schmid, durante evento em Oklahoma nesta terça-feira, 31.
O dirigente mencionou projeção para o petróleo próximo a US$ 80 por barril no fim do ano, embora haja “muita incerteza” sobre o desenrolar do conflito. Historicamente, choques dessa natureza pesaram sobre a atividade, e, embora o impacto agora deva ser menor, em sua visão, ainda assim tende a representar “um entrave moderado ao crescimento”.
Schmid ressaltou que os EUA, mesmo como exportador líquido de energia, não estão imunes a perturbações externas de oferta, já que o petróleo é precificado globalmente. Nesse contexto, o aumento dos custos com combustíveis reduz a renda disponível e limita o consumo.
Os efeitos sobre a inflação, porém, são mais diretos. “Maiores preços de energia vão elevar a inflação”, disse. Além do impacto imediato sobre os índices cheios, ele destacou que a alta também atinge o núcleo da inflação, apesar de este excluir a variação de preços do setor energético, ao encarecer desde alimentos até transporte e passagens aéreas.
O dirigente observou que a inflação já era motivo de preocupação antes mesmo do choque energético, rodando próxima de 3% e com progresso “estagnado” em direção à meta de 2%. Com os novos desdobramentos no Oriente Médio, a pressão inflacionária deve se intensificar.
Diante desse quadro, Schmid alertou que não há espaço para complacência. “Não acho que possamos ser complacentes em relação aos riscos para as expectativas de inflação”, afirmou. Para ele, disse, cabe à política monetária conter os efeitos indiretos da alta da energia e assegurar que a inflação não se estabilize em níveis elevados.
Demanda forte e alta produtividade
Para o dirigente do Fed, a economia dos Estados Unidos segue sustentada por fundamentos sólidos, em meio a uma combinação de fatores favoráveis e desfavoráveis. Segundo ele, o cenário atual é marcado por “forte impulso de demanda, alta produtividade e desemprego relativamente baixo”.
A atividade mantém um crescimento “constante”, com expansão de pouco mais de 2% em 2025 e estimativas de avanço em ritmo semelhante no primeiro trimestre de 2026, ressaltou Schmid. O desempenho tem sido impulsionado tanto pela resiliência do consumo quanto pelo aumento dos investimentos empresariais, incluindo gastos relacionados à inteligência artificial (IA).
Ainda assim, o dirigente destacou que o “consumo permanece como o principal motor do Produto Interno Bruto (PIB)”, ao representar dois terços da demanda agregada. O presidente da distrital de Kansas City pontuou que parte desse dinamismo tem sido sustentada por balanços robustos das famílias e por estímulos fiscais, como reembolsos de impostos mais elevados.
Schmid também apontou ganhos expressivos de produtividade como um dos vetores recentes do crescimento. Embora a expansão dos investimentos em IA tenha contribuído, ele ressaltou que a tecnologia “não é a principal força” por trás do avanço da produtividade, citando fatores como maior dinamismo empresarial e mudanças no mercado de trabalho.
No mercado laboral, a taxa de desemprego em 4,4% permanece baixa em termos históricos, ainda que “um pouco mais alta do que no ano passado”. Schmid observou que a criação de vagas tem sido limitada, mas destacou que isso reflete, em grande medida, o fraco crescimento da população em idade ativa.
Esse fator, segundo ele, representa um desafio estrutural. A combinação de envelhecimento populacional, menor imigração e baixo crescimento da força de trabalho tende a impor limites ao potencial de expansão da economia americana no médio e longo prazo.


