Hidrogênio verde pode ser solução de recarga para elétricos

Um combustível feito à base de água pode resolver a questão da emissão de poluentes de caminhões e ônibus. O Jornal do Carro foi até Brasília (DF) para acompanhar a produção do hidrogênio verde, em uma das primeiras plantas produtoras do combustível do Brasil. Ela pertence à Neoenergia, e conta com parceria da Honda, que cedeu o CR-V e:FCEV, movido a células de combustível, para testes.

O projeto integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com investimento superior a R$ 30 milhões.

Para ser considerado verde, a energia utilizada para quebrar a molécula da água (H2O) tem de ser proveniente de fontes renováveis, como eólica, hidrelétrica ou solar. A Neoenergia optou por captar essa energia de 220 painéis solares.

A energia é revertida para tanques de água, que passa por um processo de desmineralização. Depois disso, ocorre a eletrólise, que é a separação das moléculas para captura do hidrogênio.

O gás é armazenado e comprimido a duas pressões distintas: 350 bar (para abastecimento de veículos pesados) e 700 bar (para veículos leves).

A diferença é o espaço que o hidrogênio ocupa nos tanques. Quanto maior a pressão, mais comprimido o gás fica. Para os carros, há uma limitação de espaço, daí a necessidade de maior compressão. Já nos caminhões e ônibus, a restrição de espaço é menor, o que possibilita emprego de reservatórios maiores.

Abastecimento rápido

A grande vantagem do hidrogênio é que ele “carrega” veículos elétricos em apenas 5 minutos, pouco tempo a mais do que o necessário para encher o tanque de um automóvel com motor a combustão.

Uma vez abastecido, o sistema transforma o combustível em eletricidade e alimenta o motor elétrico que irá tracionar as rodas. Dessa forma, a tecnologia é uma alternativa às grandes baterias que equipam os automóveis 100% elétricos, que precisam de tempo muito maior de carregamento. Na tecnologia e:FCEV, da Honda, ela funciona como um backup de energia.

Água pelo escapamento

Dessa reação entre hidrogênio e oxigênio, que gera eletricidade, o subproduto é a água, liberada pelo escapamento.

No caso do CR-V, a bateria tem capacidade de 17,7 kWh e a autonomia é de 430 km.

O fato de usar uma bateria menor reduz muito o peso total do carro. No entanto, como toda nova tecnologia, o custo ainda é elevado tanto para produzir hidrogênio verde quanto para desenvolvimento e fabricação de células de combustível. Mas o Brasil pode estar na vanguarda dessa tecnologia por ter uma matriz energética limpa. “Graças às nossas condições energéticas, é possível tornar o Brasil uma referência em descarbonização da frota e o caminho é o hidrogênio verde”, diz Tatsumi Igarashi, head de Hidrogênio e Derivados da Neoenergia.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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