O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 9, que a instituição chegou ao ponto em que deve garantir a “calibragem” da política monetária, depois de ter mantido os juros em 15% ao ano de forma prolongada. “Eu acho que agora a gente chega num momento onde a palavra-chave desse ciclo de política monetária é a palavra ‘calibragem'”, disse, durante painel em evento organizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).
Galípolo explicou que já há impacto dos juros altos em setores que dependem mais de crédito, mas que o cenário econômico ainda é marcado pela resiliência. Por isso, o BC opta pelo termo “calibragem”, disse.
E ressaltou: “Faria pouco sentido não fazer reconhecimento de que estamos em situação diferente da do momento em que concluímos alta de juros, mas esta também ainda não é uma volta da vitória.”
Eficácia da política monetária
O presidente do Banco Central chamou a atenção para a dificuldade de combater a inflação no Brasil mesmo com juros historicamente mais altos do que os de outros mercados emergentes. Ele salientou que serão necessárias várias reformas para melhorar a eficácia da política monetária.
Durante o evento promovido pela ABBC, Galípolo observou que, apesar dos juros altos, a economia mostra resiliência e há dificuldade para a inflação convergir em direção à meta. Mudar esta dinâmica, pontuou o presidente do BC, tornou-se o “grande desafio” da economia brasileira no momento.
Lembrando do Plano Real, que acabou com a hiperinflação no Brasil, Galípolo comentou que, desta vez, não haverá uma “bala de prata” para desobstruir os canais de transmissão da política monetária.
“Isso vai demandar sucessivas reformas, que demandam o engajamento da sociedade como um todo, para normalizar as condições de política fiscal e de política monetária”, declarou Galípolo.


