O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Tom Barkin, sugeriu que a incerteza está se dissipando no início de 2026 e que a economia permanece “notavelmente resiliente”, em discurso preparado para o evento SC First Steps, nesta terça-feira, 3. Segundo ele, é “fácil” culpar o efeito único das tarifas ou atrasos na medição dos custos de abrigo em relação às pressões inflacionárias. Mas o dirigente disse que leva o desvio inflacionário “a sério”.
Barkin mencionou que os cortes nos juros realizados no último um ano e meio estão trazendo as taxas de volta para níveis neutros e foram uma medida de proteção para apoiar o mercado de trabalho, enquanto o BC trabalha para completar a última etapa e trazer a inflação de volta à meta de 2% – que segue acima do objetivo. “Sabemos que as coisas mudam e, conforme mudam, permanecemos prontos para responder da maneira apropriada”, ponderou.
Em relação ao mercado de trabalho, ele citou que os pedidos de auxílio-desemprego permanecem estáveis, mas que o crescimento do emprego tem sido estreito e lento – o que, para ele, não é “confortável” – e a maioria das empresas com as quais mantém contato ainda não está fazendo demissões em grande escala. “Por que fariam, quando a demanda e as margens permanecem sólidas?”, questionou, ao dizer que o cenário é bom para inflação.
Barkin ainda apontou que a economia pode receber apoio adicional significativo da política governamental, desde reembolsos de impostos, redução de retenções e preços mais baixos do gás -, bem como esforços de desregulamentação, que devem apoiar o crescimento.
Para o presidente da distrital de Richmond, o ritmo e o impacto de novas tecnologias como a inteligência artificial (IA) ainda estão por ser vistos e, em meio a toda essa incerteza, os consumidores estão inquietos, com medidas de sentimento historicamente baixas. “A força na demanda parece focada em duas esferas: o ecossistema de IA e aqueles que atendem clientes ricos”, acrescentou.


