Dirigente do BoE vê risco altista à inflação do Reino Unido com Fed mais acomodatício

A dirigente do Banco da Inglaterra (BoE), Megan Greene, avaliou que uma política monetária mais frouxa nos EUA pode representar um risco altista para a inflação no Reino Unido, ao mesmo tempo em que demonstrou menor preocupação com o mercado de trabalho britânico e maior atenção ao ritmo do processo de desinflação.

Segundo Greene, se o Federal Reserve (Fed) afrouxar a política monetária de forma mais agressiva do que o atualmente precificado, o efeito líquido sobre a economia britânica tende a ser inflacionário. Ela afirmou que, nesse cenário, “o afrouxamento das condições financeiras no Reino Unido provavelmente superaria o impacto desinflacionário de uma libra mais forte”, o que poderia pressionar a inflação para cima.

No discurso, Greene indicou que vê “mais risco de a desinflação estar desacelerando do que de uma demanda mais fraca”, ainda que tenha ressaltado que esses riscos são de dois lados. Ela observou que está “menos preocupada agora com o risco de desaceleração do processo desinflacionário do que alguns meses atrás”, mas ainda atribui “mais peso a esse risco do que ao de enfraquecimento da demanda”.

Ao tratar do mercado de trabalho, a dirigente do BoE disse estar menos preocupada com os riscos. De acordo com ela, embora haja sinais de suavização, não há evidências de que um aumento não linear do desemprego seja iminente. Greene destacou que o crescimento subjacente do emprego segue praticamente estável e que as vagas parecem ter se estabilizado, acrescentando que as empresas “entraram neste ciclo de aperto com balanços relativamente fortes”.

Greene também comentou os efeitos da política monetária do Banco Central Europeu (BCE), afirmando que uma eventual surpresa de aperto na zona do euro “tenderia a pesar sobre o crescimento do Reino Unido” e a reduzir a inflação, podendo “compensar parcialmente” um impulso inflacionário vindo de um Fed mais dovish.

Por fim, ela afirmou que, diante da possibilidade de uma política monetária mais frouxa nos EUA, o BoE deveria estar atento aos efeitos sobre a inflação doméstica. Para ela, caso se materialize um cenário de cortes mais profundos de juros pelo Fed, isso “reforçaria a preocupação com a persistência da inflação no Reino Unido” e poderia justificar “uma retirada mais lenta do grau de restrição monetária”.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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