O presidente da Argentina, Javier Milei, chamou de farsas as denúncias de corrupção que envolvem supostos pagamentos de subornos a sua irmã, Karina Milei. Em um almoço com empresários nesta quinta-feira, 28, o argentino acrescentou que o escândalo teria sido produzido por uma “casta” política que quer prejudicá-lo.
“A novela desta semana é apenas mais um item na longa lista de farsas da casta e, como todas as anteriores, é mais uma mentira”, disse. Em seguida, colocou-se à disposição da Justiça argentina. “Estamos à disposição e esperamos que tudo seja esclarecido o mais breve possível”, acrescentou.
Apesar disso, ele declarou que os áudios atribuídos ao ex-aliado e ex-membro de seu governo Diego Spagnuolo, que denunciam o esquema, são falsos e que juízes perdem tempo com “truques políticos”. “Lamentamos que os juízes percam tempo com truques políticos mais rançosos em vez de se dedicarem a processar crimes”, afirmou.
No início do encontro, Milei fez menção ao episódio desta quarta em que foi atacado a pedras, legumes e outros objetos durante um evento eleitoral nos arredores de Buenos Aires. “Ainda tenho reflexos”, brincou. Em seguida, afirmou que não se assustava com o episódio e relembrou um episódio da juventude, quando jogava futebol melhor diante da torcida adversária. “Obrigado, Kukas (apelido depreciativo para os kirchneristas), agora vou fazer melhor”, provocou.
Durante o discurso, Milei afirmou que a divulgação das gravações de áudio está ligada às campanhas políticas para as eleições de Buenos Aires, em 7 de setembro, e eleições legislativas, em 26 de outubro. “Vamos deixar uma coisa clara: nem as pessoas estão mastigando vidro, nem vamos nos deixar intimidar por essas ações covardes. Isso nos encoraja porque mostra que eles estão com medo, estão desesperados. Eles não estão vindo por Milei, estão vindo pela liberdade de todos os argentinos”, afirmou.
É a segunda vez que Milei fala abertamente sobre os áudios atribuídos a Spagnuolo. Nos áudios, o ex-diretor da Agência Nacional para Pessoas com Deficiência (Andis) diz que o governo cobra propina da indústria farmacêutica para fechar contratos. A maior parte do dinheiro, de 3% a 4%, ficaria com a secretária-geral da Presidência, Karina Milei.
Após os áudios vazarem na imprensa, Spagnuolo foi demitido da diretoria da Andis e um processo foi aberto na Justiça para investigar o caso. O ex-diretor foi alvo de buscas e apreensão na semana passada junto com dois sócios da empresa Suizo Argentina, que atuaria como intermediária na venda de medicamentos ao Estado. As sedes da Andis e da Suizo Argentina também foram alvos da operação.
O presidente havia se mantido em silêncio sobre o caso até esta quarta-feira, apesar de ter aparecido com a irmã em público em um gesto de apoio. Milei quebrou o silêncio em entrevista ao canal de TV C5N, um pouco antes do evento em que foi alvo de pedradas. Ele afirmou que Spagnuolo, que também era seu advogado pessoal, será processado na Justiça.
No discurso desta quinta, Milei responsabilizou a oposição – em especial, os setores mais próximos da ex-presidente Cristina Kirchner – pelo ataque e divulgação dos áudios. “Neste 7 de setembro, o kirchnerismo usará todas as ferramentas disponíveis para distorcer a eleição. Eles cometerão fraudes, farão campanha negativa, tudo”, declarou.